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Grandes tendências na educação: o que vem por aí? - Revista Familia Cristã

Grandes tendências na educação: o que
vem por aí?

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Uma nova realidade de vida está transformando a maneira de educar em todo o país

Prof. Renato Casagrande

A educação brasileira está passando por enormes transformações: quebra de paradigmas e reestruturação do ensino, das avaliações de aprendizagem e do relacionamento escola-famílias. O simples ensino migra para ecossistemas de aprendizagem, o aluno ocupa o lugar central e o professor, como um mentor, é o mediador do conhecimento.

Há pouco tempo educar pessoas era apenas lhes ensinar algo novo; hoje, educar é contribuir para que cada um desenvolva habilidades, competências e conhecimento para lidar com um mundo em constante mudança, cada vez mais incerto, volátil, ambíguo, frágil e não linear, uma nova realidade de vida para a qual os educadores precisam educar seus alunos.

Entre as mudanças que estão ocorrendo na Educação Básica e na Superior, destacamos as que têm estado no centro dos debates de legisladores, mantenedoras, gestores educacionais e professores em geral:

Escolas e internacionalização

Ao propiciar relações globalizadas por meio da conectividade digital entre os povos, a pandemia contribuiu para que caíssem algumas fronteiras que ainda separavam os países, pois pessoas de diferentes nacionalidades se comunicam e trabalham sem terem que se deslocar fisicamente. Nesse cenário, a escola não pode mais se esquivar de formar cidadãos globais que precisam dominar outros idiomas e também entender outras culturas para conviverem com elas. Além disso, têm crescido os termos de cooperação entre escolas de países diferentes e, por meio das novas tecnologias, os alunos já podem ter aulas com professores do exterior, ganhando acesso a informações e experiências com diferentes culturas.

Educação híbrida no Ensino Básico e Superior

A educação híbrida, ou seja, ensino e aprendizagem de forma off-line e on-line, quer dizer, na escola, em casa ou em qualquer outro lugar, faz a implantação de novas metodologias avançar de forma significativa. Mesmo após a pandemia, conviveremos com parte da carga horária realizada na escola e parte fora dela, ambas voltadas para o processo de aprendizagem dos alunos, cada instituição fazendo constar, no respectivo projeto, a carga horária a ser desenvolvida presencialmente e a das atividades a distância. Na Educação Superior, devemos assistir ao fim da presença obrigatória em praticamente todos os cursos.

Do regime de tempo parcial para o de tempo integral na Educação Básica

Os modelos híbridos de ensino e aprendizagem devem permitir a ampliação da carga horária do currículo sem que seja necessário ampliar a estrutura física da escola. Com o desenvolvimento de novos hábitos de estudo e a valorização das aprendizagens individual e colaborativa, os alunos estudarão em tempo integral e, com o auxílio das novas tecnologias, terão parte da carga horária cumprida na escola e parte em lugares fora do ambiente escolar tradicional.

As novas tecnologias passam a ser aliadas dos alunos

Por um bom tempo, usar celular, tablets e jogos eletrônicos na escola foi um tabu: educadores e pais acreditavam ser impossível combinar a atenção dos alunos com tais equipamentos. Na pandemia, porém, professores e famílias tiveram que abrir mão da sua resistência e utilizar tecnologias para que as aulas não parassem. Agora, muitos professores louvam os benefícios desses dispositivos para a aprendizagem. Cada vez mais, alunos e educadores têm convivido com plataformas digitais, laboratórios virtuais, redes sociais, aplicativos, editores de texto e vídeo, realidade aumentada, animações e jogos, que permitem uma aprendizagem mais ativa e colaborativa, gerando motivação, engajamento e maior autonomia dos alunos, antes totalmente dependentes das escolas e dos professores. Contudo, o uso de novas tecnologias e Internet precisa da liderança e das orientações dos professores, para que não haja efeitos contrários.

Tecnologia
Pixabay.com

Novas abordagens e foco na aprendizagem

Já faz tempo que os métodos tradicionais de ensino vêm sendo questionados, mas alguns professores ainda insistiam no modelo conteudista e expositivo. Com o ensino remoto sendo a alternativa para as aulas na pandemia, os professores foram forçados a buscar novas formas de cuidar da aprendizagem dos alunos: aprendizagem por projetos, por problemas e em pares, por exemplo. Constataram que a aprendizagem é mais efetiva quando as aulas são contextualizadas e foram organizadas atividades em que os alunos colocam a mão “na massa”, transferindo o conteúdo estudado para seu cotidiano. Todos perceberam que as metodologias ativas surtem mais efeito, porque o aluno está no centro da aprendizagem.

Podemos dizer que, hoje, vivemos uma nova era: a do fim da hegemonia da aula expositiva, com o surgimento de uma nova consciência sobre a importância do autodidatismo e da autoaprendizagem. Além de todos esses desafios, a educação do futuro – que é uma necessidade atual – se apresenta ligada ao conhecimento gerado pelo pensamento crítico, à criatividade, à colaboração, ao reconhecimento e à exploração de novas tecnologias, ao caráter e às qualidades dos indivíduos, preparando as futuras gerações para viverem harmoniosamente em uma humanidade solidária, empática, ética e, por isso mesmo, sustentável.

Renato Casagrande é fundador e presidente do Instituto Casagrande e vice-presidente da Associação Nacional de Educação Básica Híbrida do Brasil (ANEBHI). É educador, pesquisador, autor de livros, conferencista, palestrante e consultor em Educação e Gestão, considerado referência nacional na formação de professores e gestores e na geração de resultados para instituições educacionais públicas e privadas.

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