Dieta do mediterrâneo: hábitos de vida mais saudáveis e sustentáveis

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Mais do que uma dieta, um estilo de vida que adota um padrão alimentar benéfico para a saúde da população em geral

Por Aline Braga

Não é raro palavras concentrarem significados muito além daqueles que constam nos dicionários. A palavra “dieta”, por exemplo, pode suscitar pânico. Há quem tenha pavor à ideia de estabelecer uma nova rotina alimentar, uma vez que essa proposta traz consigo uma carga emocional negativa. Contudo, apesar do senso comum, esse termo tem um sentido muito mais amplo e flexível. A palavra “dieta” tem origem no termo do latim diaeta, que por sua vez vem do grego díaita e significa “modo de vida”.

Muito além de uma rotina alimentar, dieta está relacionada com hábitos; portanto, deve ser entendida como um estilo de vida adaptável aos objetivos de cada indivíduo, considerando história de vida, contexto social, econômico, de saúde, interesses, motivações e causas com as quais cada pessoa se identifica.

 Alimentação, cultura e meio ambiente

A Dieta do Mediterrâneo foi descrita pela primeira vez pelo pesquisador Ancel Keys na década de 1950. Keys evidenciou que o aumento do aparecimento de doença cardiovascular estava relacionado com um aumento do consumo de gorduras, sobretudo saturadas. A exceção, porém, foram os países da bacia do Mediterrâneo. Nesses locais havia uma menor incidência de doenças do coração e maior longevidade das populações. Keys associou esse resultado aos hábitos dessa população, que consumiam determinados tipos de alimentos, praticavam exercício físico cotidiano e atividades de convívio comunitário.

A partir do trabalho de Ancel Keys, diversos pesquisadores desenvolveram um sem-número de estudos sobre a Dieta do Mediterrâneo e seu impacto na longevidade, qualidade de vida e incidência de doenças. Mais recentemente, esse estilo de vida foi relacionado à sustentabilidade e à proteção do meio ambiente. 

O conceito de Dieta do Mediterrâneo definido atualmente compreende os tipos comuns de alimentos, mas também hábitos de vida e de agricultura das tradições de vários locais diferentes, localizados na bacia do mar Mediterrâneo, incluindo Creta, Grécia, Espanha, sul da França, Portugal e Itália.

Composição alimentar e práticas

Considerando o padrão alimentar, a Dieta do Mediterrâneo tem como características a predominância de frutas, verduras e legumes; cereais pouco refinados, preferencialmente integrais; leguminosas secas e frescas; frutos secos e oleaginosos; azeite como principal fonte de gordura; consumo moderado de lacticínios, preferencialmente fermentados; utilização de ervas aromáticas para temperar em detrimento do sal; consumo frequente de pescado e baixo de carnes vermelhas; consumo baixo a moderado de vinho; água como principal bebida ao longo do dia; baixo consumo de doces e açúcares.

Dieta do mediterrâneo
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Para além dos alimentos, ela engloba práticas como a priorização do ato de cozinhar no contexto de uma rotina alimentar baseada em preparações alimentares simples, com receitas e técnicas que protegem os nutrientes, como sopas, caldos, cozidos e ensopados. Além disso, faz parte desse padrão cultural o consumo de alimentos produzidos localmente, frescos e da época, ou seja, em diálogo com os pequenos produtores e com menor incidência de uso de agrotóxicos e químicos; a comensalidade, que é a convivência à volta da mesa; e a prática de atividade física frequente, preferencialmente ao ar livre. 

Indicações

Por se tratar de um estilo de vida, a adoção do padrão alimentar e das práticas da Dieta do Mediterrâneo é benéfica para a saúde da população em geral, mas tem especial impacto positivo para prevenção e tratamento de doenças e agravos crônicos não transmissíveis, tais como doenças cardiovasculares, obesidade, diabetes e hipertensão arterial. Há prevenção e ganhos de qualidade de vida também nos casos de síndrome metabólica; doenças degenerativas, como o Alzheimer e o Parkinson; câncer, sobretudo intestinal; depressão e transtornos de humor; doenças inflamatórias, como a doença inflamatória intestinal, a doença de Crohn e a colite.

Aline Braga é nutricionista e especialista em Administração Pública, esfera na qual atua como servidora municipal há oito anos. Gosta de ler, cozinhar e praticar esportes. Na vida se descreve como boba convicta, tal como descreveu Clarice Lispector em sua crônica “Das vantagens de ser bobo”

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