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O diálogo na vida familiar em tempos tecnológicos - Revista Familia Cristã

O diálogo na vida familiar em
tempos tecnológicos

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A troca de olhares, os gestos e o diálogo são as melhores maneiras de conectar os corações e as famílias

Por Catiane Leandro 

Na vida em família, diariamente, são enfrentados inúmeros desafios, alegrias e tristezas. Mas, também como família, somos chamados a, através do diálogo  e da oração, fazer com que a convivência se torne cada vez mais agradável e  sem conflitos. Porém, manter o diálogo no mundo “real” tem se tornado cada  dia mais difícil, com a  tecnologia na palma de nossas mãos, em roupas, pulseiras e outros acessórios. Ao invés da troca de olhares, o que mais vemos são as trocas de mensagens, áudios e vídeos, até mesmo entre pessoas que estão dentro da mesma casa, separadas apenas por algumas paredes ou telas. 

A tecnologia traz inúmeros benefícios, pode e deve ser usada também como forma de aproximar os casais e membros da família, se usada de forma correta: “Se bem direcionados, podemos dizer que esta é uma bela forma de aproximação dos filhos com os pais. A ordem contrária é proposital; na geração anterior, o entendimento de que apenas os pais podiam ensinar os filhos era uma teoria que reinava; atualmente, em alguns casos, os pais dependem de seus filhos para se integrarem no mundo tecnológico. Na minha perspectiva, não é necessariamente uma inversão de papéis, porém um meio de aproximação para o diálogo entre as famílias”, pontuou a psicóloga Mary Rocha. 

Além disso, muitos familiares estão distantes fisicamente, e a facilidade de comunicação por meio virtual coopera com o contato mais rápido entre familiares que possuem poucas possibilidades de encontrar-se pessoalmente. Mas é preciso ressaltar que, quando cada um está preso em sua “bolha” de relacionamentos ou entretenimento por muitas horas, e até mesmo durante as refeições ou outros momentos de intimidade, perde-se a percepção do tempo e a atenção ao que está acontecendo ao redor. Algumas pessoas consideram o aparelho celular como um membro do próprio corpo, depositam em um aparelho todas as informações mais importantes e pessoais de sua vida.  

Quando o excesso de tecnologias é prejudicial

Quando a utilização de aparelhos tecnológicos é realizada para unir, mesmo que virtualmente, pessoas que estão distantes fisicamente, é, sem sombra de dúvidas, uma grande alegria. Mas, a partir do momento em que a utilização é realizada em excesso e com outras finalidades, pode prejudicar os relacionamentos, como explica a psicóloga: “De acordo com a necessidade dos casais, se faz necessário entrar em acordos para não ocorrer rupturas dentro das próprias relações, especialmente as matrimoniais, pois delas surgem todas as vocações e profissões de cada ser humano. Eclesiástico 3 é muito cirúrgico em suas palavras, quando nos diz que ‘há um tempo para cada coisa’. E, nesse caso, também podemos colocar isso de forma muito bem apropriada! A partir de um entendimento e do amadurecimento do casal, o encontro diário com contato humano e físico entre eles é essencial para o crescimento de relacionamentos saudáveis”.

Diálogo
Freepik.com

Tem se tornado cada vez mais comum encontrar pessoas que adotaram estratégias e limites para barrar esse tipo de comportamento excessivo e manter as relações saudáveis em seu lar. “É necessário que cada pessoa tenha um tempo para cada momento. Manter-se condicionado a meios tecnológicos apenas irá segregar de várias outras atividades que também são muito importantes, o que pode pôr em risco a saúde mental, a física e a afetiva. Inclusive, muitas pessoas sofrem com depressão e ansiedade, em boa parte das vezes, devido à ausência de contatos físicos, que contribuem com o desenvolvimento de substâncias químicas naturais que dependem desses contatos, como ocitocina e serotonina, entre outros hormônios da felicidade que somente um abraço de um outro ser humano ou um diálogo próximo com alguém que amamos podem nos proporcionar”, afirmou Mary Rocha. 

Como manter o diálogo dentro das relações 

O diálogo é, sem dúvida, uma das ações mais importantes e naturais dos seres humanos. Através dele, são estabelecidos elos e a proximidade com o outro.  Por isso, Eliane Lomba, 31 anos, mãe de dois filhos, uma menina de 7 e um menino de 13, relata que se preocupa com a utilização das tecnologias dentro de casa: “Meus filhos ainda não têm celular. Eles querem e pedem, mas ainda não acho que seja a hora de dar. Tive meu primeiro celular com 28 anos. Eles usam o meu para jogos e conversas, mas não o tempo todo. O mais velho usa muito o  computador para atividades da escola e desenhos, ele gosta muito de desenhar, ver jogos e assistir a filmes. Não acho correto as crianças com celular na mão direto. Não temos horário estipulado para utilizar, mas permitimos depois de realizarem as tarefas da escola. Apesar de hoje ser difícil permitir que as crianças brinquem na rua, devido à falta de segurança, procuramos sempre outras opções de lazer e interação, para que não fiquem o tempo todo em aparelhos tecnológicos”, contou. 

Tecnologia
Pexels.com/Cottonbro 6603390

Eliane adota essas medidas para poder aproveitar todo o tempo possível com seus filhos, e ela fala também sobre a situação que observa em outras casas: “É cada um em seu mundo dentro de casa, conversando através do  celular, cada um em seu canto, em seu quarto, com seu aparelho. Estava conversando com uma amiga que me contou que se sentia sozinha dentro de casa, mesmo com as filhas, pois cada uma fica com um celular. É um absurdo isso, tira o momento gostoso da família. O tempo passa, e a vida é tão breve, perdemos o momento. Na minha casa, não é permitido fazer nenhuma refeição na frente da televisão ou com o celular na mesa, para aproveitarmos a ocasião juntos”, afirmou. 

Muitos pais se perguntam como fazer com que os filhos entendam a necessidade dos limites e de manter o diálogo olho a olho dentro de casa para viver uma atenção real no momento presente, deixando as tecnologias de lado em alguns momentos. Segundo a psicóloga, tudo é uma questão de  aprendizado: “Tudo na vida se aprende! O bom convívio entre os pais ou cuidadores irá proporcionar aos filhos a importância desse diálogo olho a olho, basta que os próprios mestres de seus filhos sejam modelos para esta conquista. Lembremos que, por mais que muitas coisas tenham sido modificadas, ainda prevalece um provérbio judaico: ‘Dê a seus filhos raízes. Mais tarde, asas!’”, concluiu.

Catiane Leandro é jornalista, pós-graduada em Marketing Digital, Webjornalismo e Mídias Digitais. Fotógrafa profissional, com foco em família e imagens religiosas. Católica, devota de Nossa Senhora Aparecida. Fotógrafa oficial da Arquidiocese de Salvador. Coordenadora de atendimento na Agência Clara Comunicação Católica.  

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