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Depressão entre jovens é agravada na pandemia - Revista Familia Cristã

Depressão entre jovens é agravada
na pandemia

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Conheça canais online que oferecem ajuda gratuita e invista nas relações afetivas para fortalecer a saúde mental

Por Juliana Borga

Todo mundo concorda: 2021 foi um ano difícil em decorrência das medidas de isolamento social e dos impactos socioeconômicos da pandemia. A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) alertou que o continente vivencia uma “crise de saúde mental”, com 60% da população sofrendo de ansiedade ou depressão.

Com os jovens não foi diferente. Um estudo recente do Conselho Nacional da Juventude (Conjuve) com jovens de 15 a 29 anos indicou que a pandemia afetou sua saúde física e emocional, a qualidade do sono, a gestão dos recursos financeiros e das relações familiares, além de impactar suas perspectivas educacionais. “Preservar a saúde mental é um direito de cada adolescente e jovem, mas a garantia desse direito tem sido duramente afetada pela pandemia. É essencial investirmos em ações e programas em que eles possam falar, ser ouvidos e se sentir fortalecidos”, afirma Joana Fontoura, oficial de desenvolvimento e participação de adolescentes do Unicef.

É essencial falar

Enquetes do U-Report Brasil, programa de interação do Unicef com jovens e adolescentes via redes sociais, apontam que 72% sentiram necessidade de pedir ajuda em relação à sua saúde mental durante a pandemia, e que 41% não conseguiram pedir ajuda para ninguém. Pensando nisso, a instituição investiu no projeto “Pode falar”, um canal de ajuda virtual em saúde mental, especialmente desenvolvido para adolescentes e jovens de 13 a 24 anos, que oferece materiais, depoimentos e atendimentos em saúde mental para este público.

O canal www.podefalar.org.br disponibiliza cartilhas, folders, e-books, planos de ajuda e relatos de jovens que estão enfrentando um quadro depressivo. Há ainda um espaço de acolhimento individual que oferece apoio e escuta online, de maneira gratuita. “O Pode Falar surge como um espaço em que adolescentes e jovens podem informar sua demanda, de forma anônima, passar por uma triagem automatizada e ter uma resposta imediata, a depender da complexidade de sua questão, com indicação de materiais de apoio, informações e serviços”, explica Gabriela Mora, oficial de desenvolvimento e participação de adolescentes do Unicef.

Conexões afetivas

Vinícius Ferreira tem 21 anos e há dois está em tratamento terapêutico. Ele relata que aceitar a realidade da depressão é o primeiro e o mais difícil passo a se encarar. “Demorei para aceitar, relutava contra meus pensamentos de tal forma que, ao invés de me recompor emocionalmente, estava fortalecendo as crenças negativas. Tentei de diversas formas tirar essas crenças de mim, por costumes, mudando a rotina, tentando ser outra pessoa, e nada parecia anestesiar essa dor interior”, conta.

Se, por um lado, a pandemia da Covid-19 agravou a situação emocional de toda uma população, por outro, ela pôde demonstrar a importância das conexões afetivas – com mães, pais, cuidadores e amigos. Às vezes o caminho pode ser solitário, íngreme, difícil, e, em outros momentos, mais tranquilo, alegre e leve. Porém, essa jornada não precisa ser feita sozinho. São as relações familiares e as conexões afetivas que fortalecem a saúde mental da infância à juventude.

“Não deixe o medo ou a vergonha te privar, existem pessoas que te amam, elas vão te ajudar neste processo, e você vai se surpreender ao perceber o quanto é forte, capaz e cheio de qualidades”, acrescenta Vinícius, que faz uma analogia entre seu processo de tratamento e a concepção de uma tatuagem: “A crença de que eu era um fracasso e não servia para nada parecia uma tatuagem alojada no cérebro. Mas, quando percebi que as tatuagens são perpétuas, irreversíveis e cheias de significado, comecei a redesenhar e reescrever minhas tatuagens para dar novo significado a elas. Este processo é longo e doloroso, mas o primeiro passo é aceitar que as tatuagens são apenas uma parte da nossa história, que significados errados não são perpétuos, são temporários e nos ajudam a redesenhar nossa vida, de forma madura e consciente”, declara.

Preciso de ajuda

Para Caio Henrique Fonoff, 27 anos, a ajuda profissional é fundamental para vencer a depressão. “O que me fez encarar a doença de frente foi me ver sem rumo na vida, totalmente perdido, sem entender quem eu era, no que acreditava e achava de mim mesmo. Hoje enfrento tudo aquilo que me dá medo e insegurança, junto com o psiquiatra e o psicólogo. Acredito que todos nós precisamos de uma pessoa para nos ajudar a entender melhor quem somos e como vemos a vida, por isso considero a terapia essencial”, afirma.

Tristeza
Pexels. Pixabay/236151

É importante saber diferenciar tristeza de depressão (confira quadro abaixo), e, percebendo que não está bem, peça ajuda! Fale sobre o que o incomoda ou faz doer com alguém em quem confia. Procure um profissional da área da saúde mental. Confira as perguntas que podem ajudá-lo a entender o que está acontecendo:

• Já passou por isso antes ou conhece alguém que passou por isso? Se já rolou, o que você fez?

• Quando tem um problema acontecendo, você prefere ficar na sua ou com alguém?

 • Tem alguém que pode ajudar você?

 • Pesquise e conheça os primeiros socorros emocionais.

 Tristeza ou depressão?

 A depressão é um transtorno de humor que pode acontecer uma vez, algumas vezes ou por toda a vida. Não se deve confundi-la com tristeza. Ela pode ter grande impacto no jeito de lidar com a vida e com as atividades do dia a dia. Os casos graves podem levar ao suicídio. Entre os sintomas mais comuns, estão:
 • Tristeza que não vai embora;
 • Perda de interesse ou prazer em coisas de que antes gostava;
 • Sentimentos de culpa ou inutilidade;
 • Baixa autoestima;
 • Alteração de sono e apetite (para mais ou para menos);
 • Cansaço que não vai embora mesmo depois de descansar;
 • Falta de concentração;
 • Vontade de morrer. 


 Ajuda online

 Conheça os programas do Unicef da área de saúde mental para adolescentes e jovens. Não deixe de acessar as “Histórias que inspiram”, depoimentos que aquecem o coração e provam que é possível superar situações difíceis: https://www.unicef.org/brazil/saude-mental-de-adolescentes. 

Juliana Borga é jornalista, três vezes vencedora do Prêmio Dom Hélder Câmara de Imprensa. É mãe coruja da Helena e adora escrever sobre temas que colaboram para um mundo mais humano e solidário. Instagram: @juborgajornalista

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