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Vai faltar água? - Revista Familia Cristã

Vai faltar água?

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Especialistas alertam para o risco de faltar água antes do fim do ano no Brasil. Saiba como contribuir para amenizar essa crise hídrica

Por Melissa Fernandes 

O medo de faltar água voltou a rondar a vida dos brasileiros, depois que o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) emitiu uma nota alertando para o risco do desabastecimento dos reservatórios das principais hidrelétricas do Brasil, já a partir de novembro deste ano. Segundo o alerta da ONS: “O país passa pela pior crise hidrológica desde 1930, e nos últimos sete anos os reservatórios das hidrelétricas receberam um volume de água inferior à média histórica”. Tem chovido menos e, para agravar ainda mais a situação, tem tido um aumento das atividades de comércio, serviço e indústria que exigem um alto consumo de água. 

De quem é a culpa?

As causas são complexas. Uma delas aponta para a degradação das florestas. O desmatamento da vegetação, principalmente ao longo das margens dos rios, reduz a evaporação da água que forma as nuvens e, consequentemente, a precipitação das chuvas. Eduardo Mendes é professor de biologia da Universidade Federal da Bahia e membro do Fórum Clima Salvador. Segundo ele, a agricultura e a indústria utilizam 85% de toda a água disponível para o consumo. Quanto maior a atividade desses setores, maior o comprometimento do sistema hídrico. A lei que rege a produção e o uso das águas no Brasil é antiga, de 1934. Houve mudanças em 1997, mas nada realmente efetivo que promovesse a preservação e o uso ordenado. “A água não pode ser tratada apenas como um recurso de valor econômico. Ela é algo essencial que permite a vida no planeta. E nós, como cidadãos, temos que alertar, discutir e cobrar políticas públicas efetivas que beneficiem a todos”, diz Eduardo.

Água
Segundo o professor Eduardo Mendes, a agricultura e a indústria utilizam 85% de toda a água disponível para o consumo. Foto: arquivo pessoal

Exemplos que fazem a diferença

Se a grande indústria pode ser uma das vilãs desse consumo de água desenfreado, por outro lado algumas delas já pensam em um futuro mais sustentável. A Natura & CO vem desenvolvendo várias ações. Um dos exemplos é o Ecoparque da fábrica localizada em Benevides, no Pará, construído com jardins filtrantes que usam tecnologia para tratamento de efluentes, sem produtos químicos. A fabricante Honda criou um parque eólico no interior do Rio Grande do Sul, que aproveita a força dos ventos para a geração de energia e é totalmente autossuficiente. Todos os automóveis da marca no país são produzidos com energia limpa e renovável. 

O cidadão também pode contribuir

Reutilização da água
Engenheiro Denis Francisco. Foto: Arquivo Pessoal

A cada segundo são utilizados mais de 2 milhões de litros de água no Brasil, segundo a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). Nós, enquanto consumidores, somos responsáveis por cerca de 7% do uso desse volume. É pouco, se comparado ao uso da indústria e da agricultura, mas podemos e devemos também fazer a nossa parte e contribuir para um consumo consciente. Menos água significa também menos luz. O governo, para desestimular o consumo e equilibrar o sistema, aumenta a conta de energia em períodos de seca. Hoje estamos na bandeira vermelha, o que significa que estamos pagando mais de 9 reais por 100 kw/hora consumido.

É muito e pesa no bolso! Pensando nisso, o engenheiro Denis Francisco instalou, em setembro do ano passado, um sistema de placas solares na casa onde mora. Ele fez um financiamento de 36 meses com juro zero e já teve uma redução de 90% na conta de luz; e isso também representa evitar que mais de 7 toneladas de CO2 – principal gás que provoca o efeito estufa – sejam jogadas na atmosfera em apenas dez meses. “É muito gratificante, porque eu sei que estou economizando, mas também contribuindo com o meio ambiente”, conclui Denis.

O engenheiro João Batista usou os conhecimentos da profissão e criou um sistema de reaproveitamento da água que sai da máquina de lavar. Durante dez anos canalizou toda a água da máquina para usar nas descargas dos banheiros e ainda instalou uma torneira de água de reuso para lavar os pisos e azulejos. Uma economia de mais de 200 mil litros de água só na casa do João, que afirma: “Como a gente pode falar em crise hídrica e dar descarga no vaso sanitário com água potável? Com atitudes simples e boas iniciativas podemos melhorar a vida na Terra. Minha ideia é influenciar pessoas”.

Fazendo render 

Para estimular o consumo consciente, ONGS, fundações e o Estado devem promover ações e atividades de mobilização social. Atitudes simples não vão resolver o problema, mas podem amenizá-lo, como, por exemplo:

– Na hora de passar o xampu e o sabonete, desligue o chuveiro.

– Ao lavar o carro ou a calçada, troque a mangueira pelo balde.

– Enquanto estiver escovando os dentes, fazendo a barba ou ensaboando as mãos, deixe a torneira fechada. 

– Substitua vasos sanitários antigos por novos, que consomem seis litros por fluxo, e utilize a caixa com descarga acoplada.

– Instale arejadores de vazão nas torneiras. O arejador é um acessório que tem a função de misturar ar à água, dando uma sensação de maior volume, podendo reduzir o consumo de 50% a 80%. 

– Deixe acumular as roupas e lave de uma vez. E, ao comprar uma máquina, verifique no manual o consumo de água do produto.

Cada gota conta

 – Pia do banheiro: ao escovar os dentes com a torneira aberta, em cinco minutos gasta-se em média 25 litros de água. Com a torneira fechada, o consumo se reduz para 1 litro.
 – Chuveiro: em 15 minutos, um banho com o registro aberto é responsável pelo consumo de 138 litros de água, em média. Em cinco minutos, gastam-se 46 litros.
 – Vaso sanitário: uma descarga com válvula desregulada ou bacia antiga consome até 30 litros de água. Com a válvula regulada ou bacia acoplada, o consumo é de 10 litros.
 – Pia da cozinha: lavando louça com a torneira aberta, em 15 minutos gasta-se em média 75 litros de água. Fechando a torneira, o consumo cai para 46 litros.
 – Mangueira: regar o jardim com a mangueira comum aberta durante 10 minutos corresponde a um consumo de 186 litros de água. Com a mangueira esguicho tipo revólver, o consumo cai para 90 litros em média.
 Fonte – Embasa 

Melissa Fernandes é jornalista e trabalhou mais de vinte anos na TV Educativa, TV Bahia e TV Globo São Paulo. Agora faz trabalhos autônomos na área da comunicação. Gosta de escrever sobre assuntos que tenham algum significado para ela e para o outro. 

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