Já sou assinante!

Ainda não é assinante?

Identifique-se para ganhar mais 2 artigos por semana!

ou

ou Assine Já

Convivência durante a pandemia - Revista Familia Cristã

Convivência durante a pandemia

Artigos Recentes

O relacionamento é vital para a evolução da sociedade. Os cristãos tinham tudo em comum e, a partir da comunicação e das relações, se disseminaram pelo mundo dando continuidade a sua linhagem e patrimônio.

Por Flalrreta Alves

Filho
Chirlene e Danivan à espera do filho. Foto: Arquivo Pessoal

O abraço fraterno, a comunhão entre irmãos e os encontros para convivência foram comprometidos devido à pandemia. Nesse cenário, muitas famílias tiveram que se adaptar para se relacionar e evoluir, como, por exemplo, a jovem economista Chirlene Maia, de 31 anos, que recebeu o sacramento do Matrimônio em 2017, ano em que seu esposo, o engenheiro civil Danivan Guimarães, assumiu um cargo público na cidade de Pedreiras, no Maranhão, enquanto ela ainda residia em Teresina, capital do Piauí, cidade natal de ambos.

Naquele período, a convivência entre marido e mulher se dava através de constantes viagens entre as duas cidades, até que, em 2018, o esposo de Chirlene foi transferido para São Luís, no Maranhão, e a família fixou residência por lá.

Até que, em agosto do ano seguinte, surgiu uma outra proposta profissional e o casal precisou mudar a residência para um município do Ceará. “Em plena viagem da mudança, eu descobri que estava grávida. Cheguei lá sem parente e sem emprego, pois pedi demissão para seguir meu esposo. Durante a gestação, não foi tão fácil ficar longe da família e dos amigos. Nem sempre meu marido podia me acompanhar nas consultas de pré-natal, então eu saia sozinha, guiada pelo GPS, em uma cidade onde não conhecia nada nem ninguém. Com a fé em Deus, fomos conduzindo isso de forma leve, embora uma gravidez, para um casal, seja sempre uma nova sensação: de ambiente, de corpo feminino, de emoções”, explica Chirlene.

Mudanças vindas com a pandemia

O que ninguém esperava era que no ano seguinte teria a pandemia, momento em todas as cidades estariam com barreiras sanitárias em combate à disseminação do coronavírus. O casal desejava que a criança nascesse em sua terra natal (Teresina), e as fronteiras entre os estados do Ceará e Piauí foram fechadas no dia 19 de março. Mas, com muito ajuste e cuidado, o filho do casal nasceu no dia 30 daquele mesmo mês e ano. “Eu não tive chá de bebê, encontro com as amigas, lembrancinha de maternidade, nem demais mimos que a gente planeja entregar e receber no nascimento de um filho. Eu não podia receber visita, não podia ter mais que um acompanhante. Foi um aprendizado nesse ponto, e nos unimos muito mais como casal”, relembra a economista.

Grupos de oração e aplicativos

Uma das ferramentas que Chirlene utilizou para manter a rotina e os relacionamentos, durante as mudanças de cidade e a pandemia, foi os grupos virtuais para interação. “Durante o resguardo, eu não podia sair de casa, assim como muita gente não podia sair devido às restrições da pandemia. Então eu participava do meu grupo de oração de forma virtual, assim como os demais membros”, diz Chirlene, que faz parte da Comunidade Católica Shalom.

Chirlene, Danivan e o filho, no primeiro passeio em família. Foto: Arquivo Pessoal

Foram muitas adaptações e ajustes para manter os relacionamentos com amigos e familiares, bem como para manter o próprio relacionamento do casal e a nova família que se formava. “E, com base sólida, dedicação e obediência, os frutos só frutificaram”, finaliza Chirlene Maia.

Desacelerando para seguir

Convivência
Shirliane e Igor, com a convivência durante a pandemia, ambos se conheceram melhor como casal. Foto: Arquivo Pessoal

Há quem realizava intensas atividades profissionais aliada ao matrimônio e teve que desacelerar o ritmo para se adaptar à nova rotina conjugal e laboral. “Sempre fui uma mulher muito ativa, com uma vida muito corrida. Moro em Teresina, mas trabalho no Ceará. Sou casada há quatro anos e, nesse curto período, nunca tive muito tempo para curtir verdadeiramente a minha vida de casada e a minha casa, pois a correria não me deixava aproveitar e enxergar os detalhes da vida. Defendi meu doutorado e planejava ter filhos. Em janeiro de 2020, tudo parecia estar seguindo o planejado, marcado por muito trabalho e a sensação de sonhos renovados. Em fevereiro, comecei os planos de investimento profissional e aliei o útil ao agradável”, relata Shirliane Araújo, doutora em Biologia.

Professora universitária, Shirliane teve que interromper todos os planos profissionais e se adaptar à nova realidade. “Imagina uma pessoa que estava cheia de planos, que gosta de gente, rua, trabalho e que tinha uma vida superagitada, como lidar com uma situação dessa? Nesse momento, aprendi a lição: a resiliência e a paciência são o caminho”, destaca.

Nesse contexto de pandemia, as pessoas descobriram os aplicativos de delivery, os eventos virtuais, as lives de artistas, o trabalho remoto, as reuniões on-line e os encontros de trabalho, entre amigos e familiares, viraram chamadas de vídeo. Mas alguns relacionamentos, sobretudo o humano, seguiram o curso natural da vida.

Ao tempo em que foi forçada a parar de viajar a trabalho, Shirliane realizou o desejo de passar mais tempo com o marido. “Antes, só tínhamos o final de semana para fazer algo mais intimista e para curtir a nossa companhia a dois. Durante a semana, era sempre muito corrido, ainda mais com meu trabalho em outro Estado. Passamos a conviver agora diariamente e a trabalhar um do lado do outro. Parecia um sonho, diante da realidade anterior, né?”, comenta.

Novas descobertas

Claramente nem tudo são flores em uma vida a dois 24 horas. Especialmente em um cenário em que algumas pessoas não respeitavam o distanciamento social. “Respirei fundo, tentei manter a calma e sofrer menos com a postura alheia. Foi então que pedi forças para Deus, voltei a rezar com mais frequência e a conversar com ele sobre toda essa situação. Decidi concentrar minhas forças no trabalho, na minha saúde física, emocional e espiritual. Decidi não esperar as coisas voltarem ao normal para continuar vivendo, e mais, decidi tocar os planos que eu conseguisse executar diante daquela realidade”, relembra a professora.

Dentro do apartamento em que mora com o marido, ambos se redescobriram individualmente e como casal. “ Descobri que sou uma grande cozinheira, uma excelente dona de casa, uma iniciante de designer de interiores e uma pessoa bastante resiliente. Tudo durante a pandemia se intensificou, principalmente os sentimentos e a vida conjugal. Para o meu casamento, foi a melhor coisa que aconteceu! Saímos desse misto de sensações e vivências mais unidos, se amando mais e mais resistentes”, declara.

Em novembro de 2020, o casal descobriu que seriam pais. “Foi uma gravidez tranquila, trancada, ‘quarentenada’, mas cheia de amor. Pensei que não sentiria o carinho humano estando grávida numa situação dessas, mas foi aí que eu me enganei. Nunca nos faltou apoio, carinho e muitas demonstrações de amor. Os presentes chegam pelos correios ou em formato de delivery quase todo dia. São mensagens, ligações e chamadas de vídeo diariamente, compartilhando esse sentimento bom de amizade e amor”, destaca a mãe do Ian, que nasceu em julho de 2021.

Flalrreta Alves é jornalista e relações públicas. Mestra em Comunicação: Mídia e Subjetividades.

Deixe seu comentário

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

error: Ação desabilitada