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Comunicação não violenta - Revista Família Cristã

Comunicação não violenta para a construção de laços e relações empáticas

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Saiba como desenvolvê-la e formar um ciclo de interações verdadeiramente positivas

Por Geane Godois

Se neste exato momento alguém te perguntasse sobre um diálogo que te magoou, você certamente lembraria pelo menos de um episódio, não é mesmo?

Muitas vezes, nem sempre o problema está na mensagem, mas sim no modo como ela é transmitida; por isso, a Comunicação Não Violenta (CNV) é uma aliada na construção de relacionamentos menos conflituosos e de diálogos efetivos e menos prejudiciais na vida das pessoas, seja em âmbito social, familiar ou profissional.

Além disso, uma comunicação mais empática e menos agressiva gera consequências menos traumáticas para qualquer indivíduo, mas não deixa de ser efetiva na mensagem que quer transmitir.

Impactos

A CNV é um conceito desenvolvido pelo psicólogo Marshall Rosenberg com o propósito de estimular a empatia e a compaixão no modo como nos comunicamos. De acordo com Rosenberg, somos seres que tendemos a ter nossos comportamentos aprendidos, ensinados e apoiados de acordo com a cultura dominante no ambiente. Ou seja, se um ambiente estimula a agressividade, a competitividade e a dominação, somos direcionados a respostas e comportamentos violentos, enquanto em um ambiente acolhedor, pacífico e conciliador, tendemos a agir com cooperação e empatia.

De acordo com a psicóloga e escritora Aléxia Steim, “o uso da comunicação não violenta fortalece os vínculos pessoais, incentiva as pessoas a serem mais sinceras e abertas consigo mesmas e com os outros, impacta de forma direta e positiva na autoestima e na segurança interna de cada indivíduo, entre outras coisas”, afirma.

Por outro lado, mais do que entender os benefícios, é necessário compreender o quão prejudicial pode ser a prevalência de conflitos gerados por mensagens colocadas de forma pouco empáticas e permeadas por agressividade.

“Há uma cultura que incentiva a competitividade, a busca por mais, e isso faz com que as pessoas se tornem mais superficiais, vendo as vulnerabilidades (tanto próprias quanto de terceiros) como negativas. Dessa forma, a comunicação violenta torna as pessoas mais distantes do seu próprio desenvolvimento psicológico e emocional”, explica a psicóloga.

Responsabilidade de dentro para fora

A comunicação é um processo extremamente importante, e saber como expressá-la para o mundo externo impacta não apenas em quem está emitindo, mas também quem a recebe. É sempre uma troca.

Pixabay.com

É preciso lembrar que cada pessoa é um universo e uma história própria e o olhar para o outro é essencial. “Ter a consciência de que cada palavra tem um impacto em quem recebe irá fazer diferença na hora da produção e da disseminação da informação”, afirma a jornalista Débora Dutra, que atua também no projeto Beleza Escondida, o qual trabalha com mulheres e seus filhos, vítimas de violência.

“Muitas pessoas desconhecem a CNV e nem se dão conta do quanto ela é importante e decisiva na forma como nos relacionamos. Saber que eu tenho essa responsabilidade, como emissora, de comunicar de forma não violenta transformou minha vida pessoal e, consequentemente, todas as áreas em que atuo”, completa.

Desenvolvendo a CNV

Identificar pontos de conflitos e tomar a decisão de mudar a si próprio é o primeiro grande passo para que relacionamentos e ambientes ao qual se está inserido se beneficiem da Comunicação Não Violenta e, assim, forme-se um ciclo de interações verdadeiramente empáticas.

Rosenberg, ao desenvolver o conceito da CNV, sugeriu quatro pilares para serem adotados no processo da construção dessa comunicação. São eles:

  • 1. Observação (e não julgamento);
  • 2. Sentimentos (ao invés de avaliação);
  • 3. Necessidades;
  • 4. Pedidos (e não ordens).

“É visível como esses pilares têm fundamento na prática”, afirma Kátia Carvalho, dona de casa de 39 anos que vem passando por uma transformação pessoal nos últimos  tempos e, sobretudo, desde que saiu do seu emprego no início de 2020.

Kátia é casada, mãe de duas filhas pequenas, e descobriu a gravidez do terceiro bebê em meio à pandemia e à nova vida afastada da profissão. Após um início de depressão nesse período, ela se apegou à fé e ao desejo de ser melhor, e isso inclui o modo de se comunicar. Suas ações são exemplos de como é possível mudar e aplicar a CNV.

Mesmo sem saber até então, a dona de casa vem aplicando os pilares da Comunicação Não Violenta e, com sua experiência, traz dicas de como desenvolver a CNV na prática. “Eu observomuito as atitudes das meninas, suas necessidades, e percebo o quanto muito do que a minha filha mais velha faz vem de mim; então, procuro me corrigir sempre. Procuro ser mais carinhosa, que é algo que eu não estava muito habituada, e também vejo reflexo nas atitudes delas com isso”, explica.

E mesmo diante de um ponto mais desafiador, a persistência faz a diferença.

“Fico me policiando em relação aos pedidos delas; por conta da minha personalidade, isso é bastante desafiador, mas, depois que mudei o discurso e passei a fazer trocas, percebi uma imensa diferença. Ao invés de falar: ‘Filha, guarda os brinquedos que você espalhou’, falo: ‘Filha, por favor, você pode me ajudar?’, e ela não reage mais reclamando, e sim colaborando realmente”, relata.

A Comunicação Não Violenta se encaixa em todos os aspectos da vida de todas as pessoas. Pode ser ensinada pelo exemplo a crianças e adultos, em qualquer âmbito de relacionamento, mas principalmente deve ser um fundamento que começa dentro de cada um.

E aí, está pronto para começar?

Geane Godois é jornalista e tem na escrita a sua grande paixão. Acredita que a comunicação é capaz de transformar vidas de diversas formas, assim como a transforma desde que passou a escrever para se expressar, ainda criança.

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