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Você tem compulsão? - Revista Familia Cristã

Você tem compulsão?

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Repetições que causam desconforto e prejuízos em diversas áreas da vida precisam de acompanhamento psicológico

Por Catiane Leandro

Realizar uma mesma atividade por diversas vezes pode parecer algo normal, mas, a partir do momento que essa repetição se torna excessiva, é preciso ligar o sinal de alerta e observar se isso causa prejuízos físicos, mentais ou financeiros.

A compulsão é uma atividade repetitiva, excessiva e mental, realizada por um indivíduo na tentativa de evitar aflição ou preocupação, ou reduzir o desconforto psíquico causado por fatores como depressão ou ansiedade.

Os transtornos psicológicos podem afetar de maneira severa a vida das pessoas, já que a maioria não consegue perceber sozinha que precisa buscar ajuda. “Geralmente a pessoa que tem compulsão não percebe, e é alguém de fora que vai estranhar esse comportamento. Na compulsão por compras, por exemplo, a pessoa começa a comprar várias coisas de que não precisa e já demonstra um quadro de ansiedade, mas ela não percebe que, quando está com essa crise elevada, começa a comprar com o intuito de amenizar a situação”, afirma a psicóloga Suelen Dias.

Segundo a psicóloga, a tricotilomania, a compulsão alimentar e a por compras são os tipos de compulsão mais recorrentes na clínica em que atua. Ela ressalta que os efeitos são mais frequentes devido à ansiedade e que é preciso a realização de terapia para analisar e diagnosticar cada caso.

Matheus Ferreira, 26 anos, contou com a ajuda da mãe para perceber a compulsão alimentar e financeira, também conhecida como compulsão por compras. “Sempre tive dificuldade em conter meus gastos e a quantidade do que comia; isso sempre gerava briga com minha mãe. Recentemente, meus gastos passaram muito do limite e ela levou isso ao psiquiatra. Com um ano de análise, fui diagnosticado com compulsão alimentar e financeira”, relata.

Quando um comportamento é considerado compulsivo?

Quando é realizado repetidamente e de forma descontrolada. A partir do momento em que as ações são realizadas tantas vezes, deixam de ser naturais e passam a ser automáticas, a ponto de que a busca por alívio seja mais forte do que a própria percepção das atitudes tomadas. Estar sempre utilizando o termo “eu preciso” faz parte desse processo. As pessoas que possuem esse transtorno sentem a necessidade de realizar a ação de forma imediata, mesmo que aos olhos de outros aquilo pareça superficial ou desnecessário. Assim como ocorre com a dependência química, é possível notar irritabilidade e agressividade quando não é possível praticar o ato compulsivo. O indivíduo compulsivo apresenta mudanças em atitudes e pensamentos. Além de realizar rituais de repetições, pode ter preocupações excessivas e obsessões, dúvida, desconforto, medo, aflição e outros sentimentos negativos que lhe afetam o bem-estar mental e social.

Quais os tipos mais comuns de compulsão?

Existem diversos tipos de compulsão, entre eles por: trabalho, atividade física, compras, acumulação, alimentação, jogos de azar, onicofagia, tricotilomania, mentir, verificar, sexo, limpeza e monofobia (fobia de não estar com telefone), sendo esta última considerada por profissionais a compulsão deste século. Vamos entender sobre os tipos mais comuns entre os brasileiros:

Compulsão alimentar: os transtornos alimentares já atingem em média 4,7% dos brasileiros, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Este índice é ainda maior quando se trata dos adolescentes, que pode chegar até 10% da população. O Transtorno de Compulsão Alimentar (TCA) é um transtorno mental que provoca a necessidade desenfreada de comer mesmo quando não se está com fome, a qual não passa mesmo com o corpo totalmente saciado. Por isso, são ingeridas grandes quantidades de alimento em um curto espaço de tempo.

Compulsão por compras: a oniomania é a compulsão financeira ou por comprar compulsivamente, gerando diversos prejuízos emocionais e financeiros. No momento em que as compras estão sendo realizadas, o compulsivo sente prazer momentâneo, que logo é substituído pela culpa por ter comprado o que não precisava, por se sentir refém da situação e por ter prejuízos na vida financeira.

Compulsão
Pixabay.com

Compulsão por trabalho: este é um tipo de compulsão cada vez mais frequente devido às grandes responsabilidades e cobranças recebidas. As pessoas com esse tipo de transtorno não conseguem separar a vida pessoal da profissional; algumas até preferem passar mais tempo cuidando de demandas de trabalho do que de questões pessoais, como casamento, filhos, finanças, entre outras.

Compulsão por jogos: está diretamente ligada ao prazer de ganhar, mesmo sabendo que as chances são poucas. Por esta razão, muitas pessoas acabam apostando todas suas finanças e perdendo tudo no jogo. Isso faz com que o compulsivo viva entre a excitação de ganhar e a culpa ao perder seus bens.

Tricotilomania: é o hábito de arrancar fios de cabelos, bem comum de ser visto, principalmente quando se está nervoso. Pode parecer algo sem importância, mas quem faz isso em excesso pode ser compulsivo. Esse ato, cometido diversas vezes, pode causar falhas de cabelo no couro cabeludo.

Onicofagia: apesar do nome um pouco difícil, é comum encontrar pessoas que tenham esse hábito de roer as unhas, para tirar a atenção do que está lhes incomodando, seja por ansiedade, nervosismo ou frustração.

Nomofobia: considerada a doença do século, devido a nossa conexão com aparelhos móveis. O nome causa estranheza, mas com certeza você já ouviu falar sobre essa compulsão pelo uso exagerado do aparelho celular, não necessariamente pelo tempo que alguém o utiliza, mas pela forma que o faz. Jovens e adultos da geração millennials são os que mais sofrem desse transtorno perigoso, que os roubá da realidade e os transporta para outra, paralela; também pode causar sintomas como tremedeira, falta de ar, isolamento, entre outros, muitas vezes causados por uma preocupação excessiva com a dinâmica das redes sociais, com likes e compartilhamentos.

Como reconhecer o problema e buscar ajuda?

Toda ação realizada em excesso deve ser observada. Quando provocar dificuldades na rotina, desconfortos e levar à desestabilização, é necessário procurar um psicólogo ou ajuda médica, de um psiquiatra.

Como tratar a compulsão?

O tratamento é realizado pela mudança de comportamento no processo terapêutico; em casos mais graves, é necessário acompanhamento de um psiquiatra para prescrição de medicamentos apropriados que ajudem a amenizar os sintomas. “Durante as consultas, o psicólogo analisa e faz questionários do quanto o transtorno está afetando o cotidiano do paciente. O uso de medicamentos psicofármacos só é indicado por um psiquiatra quando esses comportamentos estão muito elevados, a crise é muito forte e já está afetando outras áreas da vida. Alguns casos são resolvidos apenas com a terapia”, explica Suelen Dias.

Matheus Ferreira conta como foi importante buscar ajuda de um profissional. “Estou fazendo terapia e tomando alguns remédios, e me sinto bem melhor. Já estou agindo com inteligência financeira, voltei para a academia e estou me alimentando de forma saudável”, finaliza.

Catiane Leandro é jornalista, pós-graduada em marketing digital, webjornalismo e mídias digitais. Católica, é devota de Nossa Senhora Aparecida. Fotógrafa oficial da Arquidiocese de Salvador e coordenadora de atendimento na Agência Clara Comunicação Católica.

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