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Competição entre irmãos: como lidar - Revista Familia Cristã

Competição entre irmãos: como lidar

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Evitando julgamentos e comparações, os pais podem colaborar para que os filhos resolvam seus conflitos

Por Fabiane Pita

Para falar sobre a competição entre irmãos, será preciso lançar o olhar sobre a criação que está sendo dada pelos pais. A competição é normal, começa na maioria das vezes quando os irmãos ainda são crianças, e a comparação entre elas pode acirrar a concorrência. Se você é pai ou mãe e está passando por este momento de dificuldade, confira as dicas fundamentais para melhorar o relacionamento entre irmãos em casa.

Para começar é importante que os pais não se prendam à disciplina que receberam na infância nem sigam à risca regras de um novo padrão de educação. “O exercício da parentalidade é constante e deve ser exercido com fluidez, pois os pais também vão aprendendo na caminhada. Existe a história de cada família, o que é possível fazer ou não dentro de cada modelo de disciplina proposto”, alerta Ludimila Oliveira, psicóloga clínica, com formação em psicanálise e parentalidade, e especialista em Perinatalidade.

Sem julgamentos

A primeira dica é que não haja comparações. A psicóloga diz que a singularidade dos filhos deve ser levada em conta, já que cada um tem uma personalidade e precisa ser respeitado na sua individualidade. Um filho não é igual ao outro, e tudo bem. Não julgar é outra recomendação. Ela alerta que nem sempre quem está como o “agressor” é quem está errando, já que o filho que se coloca como “vítima” também pode estar confortável nessa posição, conseguindo ter a proteção e a atenção dos pais.

“É preciso que os pais permitam que os próprios filhos encontrem alternativas de resolução. Que estejam ali como mediadores, sem tomar partido. Quando for necessário intervir, que seja uma intervenção diplomática, não como juiz. Ouçam, validem os sentimentos, sem tomar partido ou exigir uma reconciliação imediata. Permitam que eles falem, elaborem seus sentimentos, para depois buscar a reconciliação”, explica Ludimila Oliveira.

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Ela sugere proporcionar um ambiente de calma, já que o comportamento dos pais modela o dos filhos. “Se eles estão se agredindo e os pais mediam com calma, propondo que sosseguem e respirem, vão ensinar habilidades para gerir conflitos para uma vida inteira. É em casa, com os irmãos, que os filhos aprenderão a gerenciar as emoções. Entre a emoção e a reação há um espaço de reflexão que só é possível de acessar quando nos acalmamos antes de responder. Isso modela o comportamento dos filhos que aprendem pelo exemplo”, alerta.

Luciana Cunha, mãe do João Gabriel, 8 anos, e da Ana Beatriz, 6 anos, fala que em casa percebe a competição entres eles pela escolha dos canais de TV, pela atenção dela e do pai, pela demarcação de espaço, por objetos, brinquedos e livros. “Sempre ensinamos sobre dividir. Quando eram menores, eu dizia que cada perna era de um deles e que no meu colo cabiam os dois. Tentamos elogiar e mostrar que eles têm capacidade de alcançar o que querem, valorizando cada conquista”, conta.

Agressão, não!

A psicóloga esclarece que, existindo agressão física, é preciso deixar claro que esse comportamento não é permitido em nenhuma hipótese. Faça-os refletir perguntando de que outra forma poderiam resolver esse conflito. Mas, se são crianças pequenas, será preciso levar em conta que tudo é muito corporal, os sentimentos e ações são muito concretos e instintivos. Portanto, a criança ainda não aprendeu a gerenciar emoções e a refletir usando o diálogo. Ela precisará que os pais medeiem a situação, mostrando que existem outras formas de resolver conflitos com o irmão.

Se você tem adolescentes em casa, Ludimila Oliveira diz que é comum que haja diferenças mais acentuadas e certo afastamento entre os irmãos. É nesta fase que ocorre a elaboração psicológica de questões importantes sobre identidade, profissão e gostos, se diferenciando da família e dos irmãos. A profissional alerta que isso deve ser respeitado. “Na fase adulta, quando estarão provavelmente experienciando as mesmas vivências, uma reaproximação pode acontecer naturalmente, ou não. Não é interessante que os pais queiram garantir nem forçar uma amizade entre os irmãos. O que precisa ser garantido é o respeito e a consideração. A amizade é um processo muito mais ligado a afinidades e que pode ou não acontecer no sistema familiar”, pondera a psicóloga.

Respeito à individualidade

Ludimila Chetto, que é mãe de Mateus, 8 anos, e Vítor, 10 anos, conta que ela e o marido sempre tiveram a preocupação de fazer com que seus filhos crescessem em um ambiente saudável, se respeitando e querendo o bem um do outro. “O clima de competição sempre existiu, mas conseguimos torná-lo leve, fazendo com que eles validassem as dificuldades um do outro. Mostramos que sempre terá um vencedor, um que sabe mais, um mais forte, mas que o importante é reconhecer todo o esforço”, afirma.

A psicóloga encerra chamando a atenção dos pais: “É preciso que eles estudem, revisitem sua história na família de origem e sua própria relação com os irmãos, para não repetirem e projetarem suas questões pessoais nos filhos. E, por fim, é necessário que entendam que podem falhar no processo, não existe perfeição. Filhos não precisam de pais perfeitos, mas sim de pais responsáveis, que invistam em aprender a cada dia nesse exercício tão desafiador e sublime que é educar um ser humano”, finaliza.

Fabiane Pita mulher negra, católica, jornalista, especialista em Gestão da Informação para Multimeios. Curiosa por natureza, foi assim que criou com uma amiga seu perfil no Instagram: @curiando_o_role. Ama ler, escrever, contar boas histórias e viajar. Coloca amor em tudo o que faz. Seu sorriso é sua marca registrada.

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