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Como abrir mão de um livro - Revista Familia Cristã

Como abrir mão de um livro

Livro
Pixabay.com

Você consegue emprestar, doar, vender, trocar ou jogar fora um livro?

Léo Cunha

Tenho um amigo que morou na França durante dez anos e conseguiu montar uma boa biblioteca pessoal só catando livros que encontrava nas latas e caçambas de lixo. Parece mentira, mas juro que aconteceu mesmo: ele costumava passear pelas ruas parisienses, na madrugada, antes de passarem os caminhões de lixo, e voltava para casa com exemplares de tudo quanto é tipo: dicionários, guias turísticos, biografias e até mesmo romances e poesias.

Sim, caro leitor, existe gente que descarta livros sem o menor peso na consciência, especialmente as edições de bolso ou essas mais baratas, impressas em papel-jornal. Você é um desses? É capaz de abrir mão de um livro? Consegue emprestar, doar, vender, trocar, jogar fora? Listei abaixo quatro formas diferentes de abrir mão de um livro.

1 – Algumas pessoas não suportam a ideia de acumular objetos e optam por um estilo de vida mais despojado e minimalista, apegando-se apenas ao que é essencial. Nesse processo, vão-se embora roupas, calçados, utensílios domésticos, aparelhos diversos e, mais cedo ou mais tarde, chega a hora de abrir mão dos livros. 

Levando essa postura ao extremo, há gente para quem um livro lido já cumpriu seu papel e agora não passa de um estorvo, um incômodo tijolinho de papel que está entulhando sua casa ou destoando da decoração. Para estes, o destino do exemplar pode ser até uma lata de lixo, por que não? Imagino que os livros encontrados pelo meu amigo, em Paris, se enquadrem nessa categoria.

2 – No caminho oposto, existem pessoas que desejam compartilhar os livros que mais admiram. Sob tal ponto de vista, mesmo que abrigue em suas páginas uma obra monumental como Dom Quixote, Crime e Castigo ou Grande Sertão: Veredas (ou especialmente quando abriga obras dessa grandeza), o livro deve estar livre para encontrar outras mãos, encantar novos corações, conquistar novas mentes. 

Vêm daí as campanhas do tipo “Leve este livro” ou “Pegue um livro, deixe outro”, nas quais as pessoas são estimuladas a deixar um exemplar no banco da praça, na estação de ônibus, no parapeito de uma janela, para que alguém, aleatoriamente, o encontre e o leve para casa.

3 – Uma terceira opção é doar os livros para um conhecido ou uma instituição. É uma alternativa que me agrada muito e que já adotei várias vezes. O primeiro passo é verificar se as obras interessam a um amigo, vizinho ou parente. Em caso negativo, você pode levá-los pessoalmente a uma biblioteca pública ou de escola, onde, certamente (pelo menos é a nossa torcida) serão bem-vindos.

4 – A quarta opção é vender os livros para um sebo (para quem não sabe, trata-se de uma livraria especializada em exemplares usados). Se você, leitor, é mais desapegado do que eu, os sebos são um bom destino para descartar seus volumes usados, uma forma de reinseri-los no mercado e dar a eles uma nova vida. Partamos do princípio de que sempre vai haver alguém que pode se encantar por um livro – principalmente, reforço, os de literatura. Sim, sempre há alguém que, mesmo sem saber, está à espera daquela obra. 

Doação de livros
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Certa vez – na verdade, uma única vez – tomei coragem e, após ouvir queixas insistentes de toda a família, alegando que não havia mais lugar para nenhum livro em casa, tomei a dolorosa decisão: iria abrir espaço nas prateleiras. Sim, iria vender algumas dezenas de livros para um sebo. Com muito pesar, separei uma sacola grande e ali depositei os volumes que, provavelmente, jamais iria reler ou consultar por motivos profissionais. Respirei fundo e rumei para a loja. 

Chegando lá, me despedi dos exemplares, sentindo-me quase um traidor, um leitor desnaturado. Enquanto o proprietário do sebo guardava os livros e fazia os cálculos de quanto iria me pagar, eu caí na besteira de começar a circular entre as estantes daquela salinha comprida e escura. Resultado: voltei para casa com a sacola cheia de novas aquisições!

Leo Cunha é graduado em Jornalismo e Publicidade e especialista em Literatura Infantil pela PUC Minas. Mestre em Ciência da Informação e doutor em Artes pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Casado com Valéria, pai da Sofia e do André. Apaixonado pelas artes e pelo humor. Além de autor do livro Cachinhos de Prata, pela Paulinas Editora.

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