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Como a autoestima influencia nossa vida? - Revista Familia Cristã

Como a autoestima influencia nossa vida?

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A avaliação que fazemos de nós mesmos pode afetar nossas relações pessoais, profissionais e individuais

Por Erica Hong

O que vem à sua cabeça quando lhe perguntam sobre a sua autoestima? Você sabe responder? Já pensou como é essa avaliação que você faz de si mesmo? Como isso influencia seu dia a dia? Essas são algumas perguntas que podem indicar como está a sua autoestima e a relação dela na sua vida.

São muitos os fatores que podem influenciar nossa autoestima, porém ela depende de como nos relacionamos com nós mesmos.

O que é autoestima?

De acordo com o psicólogo Everton de Oliveira, a autoestima é a avaliação geral que o indivíduo faz de si mesmo, positiva ou negativa.

A história de vida da pessoa, a cultura em que ela está inserida, os valores que recebeu e escolheu cultivar e um ou outro ponto da sua identidade são elementos que influenciam o balanço geral da autoestima.

Apesar da autoestima ser uma avaliação muito íntima e pessoal que cada um faz de si mesmo, as pessoas são seres sociais. Everton explica que todos os nossos círculos sociais influenciam a construção da nossa autoestima: “Aquilo que penso e sinto sobre mim é influenciado pelo que está fora de mim. Um elogio, uma crítica, um caso de amor, a aprovação ou reprovação pelo meu grupo, a comparação com os outros, tudo isso participa da construção da minha autoestima e a afeta”.

É natural que uma pessoa aprecie certas características em si mesma e não aprove outras, mas alguns comportamentos podem evidenciar a baixa autoestima, como:

– Não priorizar suas próprias necessidades e sentimentos.

– Colocar sempre os outros em primeiro lugar.

– Sentir-se culpado por equívocos banais.

– Sentir um medo exagerado de errar.

– Ter falta de confiança.

– Ter timidez em excesso.

– Sentir medo de ser rejeitado.

– Ser perfeccionista.

– Não reconhecer suas vitórias e sucessos.

– Exaltar os próprios defeitos e as qualidades de outras pessoas.

O psicólogo esclarece que a autoestima é considerada baixa quando, na maior parte do tempo, a pessoa fala consigo mesma de forma crítica e depreciativa. Existe a predominância de um sentimento de vergonha e insatisfação com aquilo que se é.

Para Everton, aquilo que você pensa de si mesmo influencia praticamente todos os aspectos da sua vida, determinando seu modo de agir e reagir, de escolher suas companhias e de enfrentar os desafios: “Enquanto uma autoestima razoável nos empodera, a sua ausência faz com que nossa resistência diante dos problemas da vida diminua”.

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A baixa autoestima isola, desencoraja, mas pode ser superada!

Nike Zenning Zhu, 23 anos, é curitibano e filho de pais chineses. Ele não lembra ao certo quando começou a ter a autoestima baixa, mas recorda que passou a sua infância inteira indo da escola para casa, e de casa para a lanchonete dos pais.

Quando estava em casa, costumava isolar-se no quarto e socializar o menos possível, comportamento que também era reproduzido fora de casa. Andava sempre encapuzado para esconder o rosto e o excesso de peso.

Para ele, essa foi uma época obscura e perigosa, por não lhe permitir aprender a viver. “Morria de medo de ser julgado, qualquer oportunidade que aparecia, de fazer novos amigos ou até mesmo de brigar com alguém, simplesmente evitava, perdendo assim todo aprendizado que aquela experiência poderia proporcionar, e isso me atrasou. Interações simples do cotidiano, como cumprimentar uma pessoa ou sustentar uma conversa corriqueira, eram praticamente impossíveis”, conta. 

A adolescência também foi um período difícil, de descobertas e revoltas. Nike era cético e crítico e duvidava de tudo o que lhe diziam. Mas, no meio do caminho, com 16 anos, o cenário começou a mudar. “Meu melhor amigo, Samuel Crozeta, me inseriu em várias comunidades por pura diversão, e uma delas foi a igreja. A primeira vez que entrei em uma foi com uma mentalidade fechada para tudo aquilo”.

Apesar disso, continuou recebendo convites para assistir a um culto, e, quando aceitou, sua visão foi outra, leve e positiva. Ele destaca que não foi a relação da religião em si que o ajudou a melhorar a sua autoestima, mas o estar em comunidade, sentir-se acolhido.

Além das células da igreja, ele também passou a frequentar vários ambientes que considerava saudáveis, como o time de beisebol, a turma da aula de japonês, grupos de debates de animes e o próprio trabalho: “Nesses grupos eu havia sido acolhido e, conforme o tempo progredia, ganhava uma voz mais ativa, e até passei a ter uma função importante dentro deles”.

Assim como Nike, Ana Luiza de Moura, 19 anos, estudante de nutrição, também teve a autoestima baixa. Com 9 anos, começou a sofrer bullying por ser muito magra: “Lembro que, nesse tempo, mães de ‘amigas’ minhas me perguntavam se eu estava bem, se minha mãe me dava comida”.

Na adolescência, passou a odiar seu corpo, por causa de risadas, comentários e apelidos que recebia. Com isso, ela tentou mudar, mas pelos outros, não por si mesma. Passou a comer exageradamente e, em muitas noites, chorava, até perceber que tudo aquilo não a ajudava.

Então tomou a decisão de tentar se aceitar: “A jornada para aceitar meu corpo do jeitinho que ele é foi longa, principalmente para parar de me importar com algumas críticas”. Passou a ter uma visão mais gentil de si mesma e, hoje, reflete sobre cada um ser o que é: não devemos apontar algo do outro, pois não sabemos como isso irá afetá-lo.

Como trabalhar para aumentar a autoestima?

A baixa autoestima pode vir acompanhada de outros transtornos, como depressão e ansiedade. Porém, nem sempre o foco é direcionado para a autoestima, pois ela acaba sendo considerada apenas um fator, quando, na verdade, é essencial para vivermos de maneira saudável conosco e com os outros.

O que o psicólogo propõe para melhorar a autoestima é abraçar as nossas vulnerabilidades, entender que todos temos imperfeições, limitações, e não há problemas em ser assim: “Talvez você esteja habituado a tratar essas limitações com uma voz interior chata, crítica, que faz comparações. Esse nosso lado crítico acha que, se não for duro e chato, nós não vamos mudar nunca. Mas o que ele faz é nos paralisar – não conseguimos fazer algo novo, testar, arriscar, aprender”.

Então, é preciso substituir essa voz por uma gentil, aprender a encorajar-se e a apoiar-se, olhar para as próprias insuficiências com maior tolerância.

Everton explica, ainda, que cada um de nós tem uma imagem do nosso “eu ideal” e do nosso “eu real”. O modelo ideal é aquele ser autossuficiente, que não se atrapalha, tem sempre as respostas certas. E o eu real é aquele que não dá conta de tudo. “A questão é que está tudo bem ter um ideal, um tipo de pessoa que se almeja ser. Mas o ideal serve como um indicador, um parâmetro.”

Outra maneira de buscar entender a sua relação com a autoestima é fazendo psicoterapia, para se compreender, se aceitar e viver bem.

Erica Hong é jornalista, graduada pela PUCPR. É apaixonada pelos seus cachorros e ama ler os mais diversos temas. Sociedade e cultura a inspiram. Admira quem dá voz àqueles que precisam serem ouvidos e sonha em um dia também dar luz às questões sociais que vivemos.

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