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Casa da Cultura: fortaleza do artesanato e turismo do Recife (parte 2) - Revista Familia Cristã

Casa da Cultura: fortaleza do artesanato e turismo do Recife (parte 2)

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Localizada na área central da cidade, já funcionou como cadeia e hoje acolhe o artesanato de todo o estado de Pernambuco

Por Simone Oliveira 

Após três anos de restauro, em 1976, ficou pronta a agora “Casa da Cultura Luiz Gonzaga”. Homenageando o Rei do Baião, o prédio foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (IPHAN), em 1980.

Durante todo o século 20, a Casa de Detenção do Recife recebeu ilustres encarcerados brasileiros, como o escritor Graciliano Ramos, o advogado João Dantas e o militar Gregório Bezerra, entre outros presos, principalmente durante a ditadura militar, nas décadas de 1960 e 1970.

Hoje, 45 anos após a fundação, a Fortaleza do Artesanato do Recife abriga cerca de 110 artesãos. São homens e mulheres que vivem da arte genuinamente pernambucana, com seus coloridos e sabores advindos das mais variadas localidades do estado.

Famílias artesãs

Crédito: Simone Oliveira

São gerações que se perpetuam na atividade cultural, como acontece na família da comerciante Ladjane Parmera, que há mais de 20 anos trabalha na loja Cabrocha Artesanato, que fica na cela 120, com suas redes, bolsas de corda, bonecos de barro, roupas e lembranças típicas.

A mãe dela, dona Elieze Parmera, de 86 anos, foi uma das primeiras a receber a chave da cela, nome da permissão dada aos comerciantes da Casa da Cultura para vender suas artes e encantar os turistas do mundo inteiro.

A filha diz que o artesanato sempre foi uma constante na vida delas e que até hoje a matriarca ainda trabalha. “Por conta dessa pandemia, ela não sai mais de casa. Mesmo assim trabalha on-line e sabe de tudo que acontece aqui”, comenta Ladjane.

Ao andar pelos raios e pavimentos da Casa da Cultura, é possível ver a cela 106 do raio leste, que está preservada com as características iniciais da construção. Um lugar onde tantas pessoas respiram arte e turismo para já foi território de privação de liberdade de muitos homens.

O local ainda abriga o Teatro Clênio Wanderley, localizado no 2º andar do raio sul, o Palco Nelson Ferreira e o Museu da Imagem e do Som de Pernambuco, o MISPE, além de ser sede de movimentos culturais, sindicatos e associações. Atualmente abriga dois painéis do pintor pernambucano Cícero Dias, representando as Revoluções Pernambucanas de 1817 e 1824.

Devido à pandemia do novo coronavírus, a Casa da Cultura permaneceu fechada entre os meses de março e julho do ano passado, impactando diretamente na vida de muitos comerciantes que têm na venda dos produtos o único meio de sobrevivência.

Crédito: Simone Oliveira

Realidade sentida na pele pela artesã Solange Araújo, vice-presidente da Associação dos Lojistas da Casa da Cultura, que há 39 anos trabalha vendendo seus bordados trabalhados nas roupas e toalhas, e ajuda a tantos outros vendedores que, como ela, vivem do artesanato. 

Em conversa em uma tarde ensolarada, Solange desabafa que “foi desesperador ver a situação de tantos amigos que precisaram de cestas básicas para sobreviver. Esses alimentos chegaram através da ajuda de outros amigos e das campanhas realizadas na paróquia da qual faço parte”, afirma a artista que é uma “bordadeira de mão cheia”, como se autodefine. 

O impacto da Covid-19

Devido à Covid-19, a artesã precisou se reinventar e começou a vender seus produtos através das redes sociais, principalmente pelo WhatsApp. “A venda das minhas rendas através do telefone, além do auxílio emergencial do Governo, foi o que me salvou quando a Casa da Cultura ficou fechada”, afirma aliviada.

A representante dos artesãos diz ainda que o movimento ainda está bem abaixo do esperado. Até o ano de 2020, mais de 10 mil pessoas visitavam mensalmente o espaço no período compreendido entre os meses de dezembro e março. 

Ela se diz confiante de que o turismo vai retornar com força. “A maioria dos turistas vem do Brasil mesmo e a vinda dos estrangeiros caiu por conta do vírus, mas estou confiante no retorno, tenho esperança por dias melhores”, conclui a vice-presidente.

Serviço: A Casa da Cultura Luiz Gonzaga fica na rua Floriano Peixoto, s/n, Bairro de Santo Antônio, área central do Recife, e funciona de segunda a sábado, das 9h às 17h, e aos domingos, das 9h às 14h. A entrada é gratuita.

Simone Oliveira é jornalista, radialista e assessora de Comunicação e Imprensa das maiores festas religiosas católicas de Pernambuco. Uma das alegrias que a vida lhe traz é em contemplar o mar junto de quem ama. O simples faz toda a diferença.

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