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Movimento migratório: a esperança de quem vai, a saudade de quem fica

Movimento migratório: a esperança de
quem vai, a saudade de quem fica

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Por Simone Oliveira

A migração humana existe desde os tempos mais remotos. São imigrantes, emigrantes, refugiados, apátridas, desalojados, entre outras situações, e que buscam reconstruir a vida distante da cultura de origem.

Desde o Brasil colônia, a migração acontece com destaque da imigração de portugueses, alemães, italianos, japoneses, dentre outros povos que compõem a história do nosso país.

Brasil
Subcomitê Federal para Recepção, Identificação e Triagem dos Imigrantes Ministério da Justiça e Segurança Pública

Essa imigração, em sua grande maioria, veio da Europa e Ásia e ocupou regiões brasileiras localizadas no nordeste, sul e sudeste brasileiro. Essa população veio ao Brasil a procura de melhores condições para se trabalhar e viver. O fator econômico foi o ponto de partida para esses migrantes.

Segundo dados do recém lançado Relatório Mundial sobre Migração 2022, a OIM estima que atualmente 281 milhões de pessoas vivam fora dos países de origem, 61 milhões de migrantes a mais que em 2010.

Mesmo com os impactos sofridos com a pandemia de Covid-19, que afetou drasticamente a mobilidade global nos últimos dois anos, dezenas de milhões de eventos de deslocamento fizeram com que as pessoas continuassem a se mover entre as nações.

No Brasil, atualmente, o maior índice de migração é de países latino-americanos, devido a grave crise social, política e econômica que assola a terra natal desses povos.

De 2010 a 2018, 774,2 mil imigrantes foram registrados no Brasil, sendo os venezuelanos, haitianos e colombianos as três principais naicionalidades, segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Ainda de acordo com o Subcomitê Federal para Recepção, Identificação e Triagem dos Imigrantes, órgão ligado ao mesmo Ministério, entre janeiro de 2017 a novembro de 2021, o movimento migratório no país foi de 662.862 pessoas. Dessas, 45% ficaram no Brasil.

Brasil, a nova casa

A esperança por novas oportunidades e um destino mais leve e diferente dos demais parentes e amigos que permanecem no país de nascimento, aliada ao acolhimento da sociedade brasileira, fez com que esses migrantes vislumbrassem no Brasil a oportunidade de uma vida melhor.                                 

Brasil
Yannelis del Valle Barreto Sanchez. Foto: Arquivo Pessoal

Yannelis del Valle Barreto Sanchez, de 26 anos, é um desses migrantes venezuelanos que escolheram construir a vida no Brasil. Ela chegou em solo brasileiro em 2019, através da cidade de Pacaraima, cidade fronteiriça com a Venezuela e que fica em Roraima, no norte do Brasil, com a esperança de estudar e conseguir se estabilizar financeiramente.

“Fiquei em Boa Vista (capital de Roraima) durante sete meses, dividindo um kitnet com outras pessoas. Saí da Venezuela, pois sabia que lá não iria conseguir construir nada.’’ Diz a jovem que atravessou a fronteira aos 23 anos.

Hoje, ela está na Paraíba e trabalha como assistente administrativa no local onde foi acolhida. A venezuelana já consegue imaginar os sonhos dela realizados: lá na Venezuela não iria conseguir ter minha independência e estudar contabilidade, como sempre quis.

A estudante veio com a permissão do pai, que o deixou junto aos outros irmãos na cidade de Guayana, uma das mais povoadas e que fica na região administrativa da Venezuela. “Tento falar com eles todos os dias, pois a energia e a internet de lá é ruim. Ajudo pouco financeiramente, pois lá tudo é muito caro.”, relata a jovem.

A estudante diz que a volta para a Venezuela será apenas para visitar e matar um pouco da saudade dos familiares. “No início meu pai pedia para eu voltar, quando ainda estava em Roraima. Quando fui para a Paraíba ele ficou mais tranquilo, pedindo para passar as festas de fim de ano, de férias. A saudade é grande, mas não quero voltar para morar novamente, já deu lá,” diz Yannelis.

Essa mesma certeza poderá ser dita, ou não, pelo recém-chegado Danny del Valle Martinez Quintana, de 31 anos, que desembarcou no Brasil há apenas três meses, junto com a mulher e os três filhos.  

Danny relata que a dificuldade financeira em manter dignamente a família na Venezuela foi o motivo principal que os levou a migrar para o Brasil. “A vida na Venezuela é muito difícil e sair da cidade não foi fácil, pois viemos de caminhão até Pacaraima, foi uma viagem cansativa.” Diz o pai que encontrou acolhida para ele e a família em terras brasileiras pelas mãos dos militares das fronteiras.

“Quero ver como vou fazer com os meus pais, que são idosos, e que os deixei lá. Preciso ajudá-los daqui.” Relata com preocupação diante do novo que acabou de chegar junto com todos eles.

Sonhos, saudade e esperança

Brasil
Danny del Valle Martinez Quintana e a família. Foto: Arquivo Pessoal

As coincidências entre as histórias desses dois migrantes vão além do país de origem: eles são da mesma cidade e do mesmo povoado. Hoje, Danny e a família também se encontram no mesmo local que está Yannelis, na Paraíba.

Os dois são assistidos na Casa do Migrante, projeto do Serviço Pastoral do Migrante da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB SPM), que no Regional NE 2 está localizada na cidade do Conde, região metropolitana da Paraíba, há três anos.

 “Rogamos ao Deus da Vida que continue conosco, dando f orças aos migrantes em sua luta na reconstrução de suas vidas e de seus sonhos e aos agentes da Pastoral dos Migrantes as condições necessárias para seguir nesse caminhar e nessa tarefa de esperançar”, aponta o bispo de Pesqueira (PE) e referencial da Mobilidade Humana da CNBB, dom José Luiz Ferreira Sales, CSsR.

São movimentos assim que ajudam a esses migrantes, pois apesar de haver legislações específicas, Leis 9.474/97 e 13.445/17 para refugiados e migrantes respectivamente, faltam em todo o país políticas públicas de apoio a essas pessoas, que em grande maioria encontram-se em vulnerabilidade social. Para esses migrantes restam apenas o desejo de reconstruir a trajetória pessoal sob os raios da dignidade humana.

 SERVIÇO
 Para ajudar a Casa do Migrante, os interessados podem entrar em contato pelos telefones (83) 98801.2417 / 98816.8320 / 99831.2749 ou contribuir por meio da Conta corrente: 25470-3, Agência 1345-5 do Banco do Brasil. 

Simone Oliveira é jornalista, radialista e assessora de Comunicação e Imprensa das maiores festas religiosas católicas de Pernambuco. Dentre as alegrias que a vida lhe traz, uma está em contemplar o mar junto de quem ama. O simples faz toda a diferença.

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