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Atividades manuais promovem bem-estar e são refúgio no isolamento social -

Atividades manuais promovem bem-estar e são refúgio no isolamento social

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Dados apontam que o uso da internet cresceu consideravelmente durante a quarentena; resgatar tarefas off-line é uma forma de driblar o caos desse cenário

Por Erica Hong

Desde março de 2020, por conta da pandemia do novo coronavírus, as telas se tornaram protagonistas na vida das pessoas. Estudar, trabalhar, conversar com amigos e parentes, e até mesmo praticar exercícios, tudo passou a ser feito por meio da tecnologia. 

Segundo dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), de 2020, o uso da internet no Brasil cresceu entre 40% e 50% durante a quarentena, e a alta foi ainda maior para os servidores internacionais.

Diante desse cenário, o mundo virtual que conecta as pessoas é o mesmo que, muitas vezes, as desconecta. Em um momento em que é preciso cada vez mais ficar imerso no universo digital, atividades fora desse espaço tornam-se valiosas. 

Crochê e bordados 

Logo após o início da pandemia, Yasmin Soares, 24, assessora de imprensa, buscou um trabalho manual para se distrair da rotina do home office. Assim, na busca pela nova atividade, ela se lembrou de quando a sua mãe estava grávida e começou a fazer ponto cruz para o seu enxoval. Para a sorte da assessora, sua mãe guardou todas as receitas de ponto cruz e bordados. Assim, com os materiais na mão, sua mãe ensinou o básico e o resto ela pegou com a prática. “Foi quando me veio a ideia de começar a fazer peças de decoração com bordado para vender; assim juntaria uma atividade terapêutica com a possibilidade de ganhar um dinheirinho extra no final do mês”, conta.

Para Yasmin, essas atividades manuais foram o que realmente a ajudaram neste período de isolamento social. Seja desenhar, bordar, pintar e até mesmo cozinhar, sair da rotina e do ambiente das redes sociais fez uma diferença positiva no seu dia a dia.

crochê
Pixabay.com

Assim também, Luiza Jervasio, 17, passou a ocupar o seu tempo. Por influência de sua mãe, que começou a fazer amigurumis – pequenos bonecos feitos de crochê ou tricô –, ela aprendeu a fazer crochê e começou um curso de modelagem e costura, este último por conta de vídeos que via no Instagram e TikTok. “Via outras pessoas costurando, achei muito legal e, como eu sempre tive vontade de aprender a fazer roupas, decidi começar”, diz.

Da mesma forma que Luiza e Yasmin, a psicóloga Bruna Piekarski, 23, adotou atividades que traziam a memória afetiva de pessoas da sua família. No caso dela, foi a das suas avós. “Acho que a manutenção do bordado, costura, o cuidado das plantas e meu tempo na cozinha tiveram muita influência das minhas avós, e eu sempre falo que me sinto mais conectada com as memórias delas quando estou fazendo algo assim”, afirma.

Além de se distrair de uma forma que sempre gostou, bordar e costurar a inspirou a redecorar alguns cômodos da casa, que se tornaram monótonos depois que o tempo dentro de casa aumentou. Outro lugar da casa que ganhou mais destaque foi a cozinha; nela, a psicóloga passou a cozinhar muito mais e a testar receitas novas. Segundo ela, trabalhos manuais sempre a encantaram e aprender uma habilidade nova e ser capaz de criar algo é uma experiência que todo mundo deveria ter.

Vínculo familiar

A pedagoga e psicopedagoga Liziane Kriger comenta que a pandemia abalou as estruturas das casas e de seus moradores. E com a questão virtual mais evidente no dia a dia, é preciso manter-se atento para não passar horas com um celular na mão.

Dessa forma, o que ela sugere para se desconectar das telas e conectar o convívio social dentro de casa, além de resgatar atividades mais saudáveis nesse período, é buscar passeios ao ar livre – mantendo todas as medidas de segurança –, jogos de tabuleiro com a família, aulas de culinária, sessões de cinema e práticas que instiguem o movimento, o falar, o compartilhar. A pedagoga ainda faz uma ressalva: “As famílias que perceberam a importância de estar junto conseguiram se estruturar muito melhor nos momentos mais críticos da pandemia”.

De acordo com a profissional, seja para adultos, seja para crianças e adolescentes, resgatar atividades em conjunto, partilhar e passar um tempo longe das tecnologias melhora a concentração, fortalece o vínculo familiar, incentiva a criatividade e ajuda na expressão emocional.

E, para promover esses momentos em casa, ela ainda indica algumas atividades:

– Stop/Adedonha: brincadeira muito comum antes das telas, no qual os jogadores devem encontrar uma palavra para cada tema que comece com a letra sorteada.

– Jogos do tempo dos pais e avós: jogo de botão, jogo de vareta, variados jogos de tabuleiro, dança das cadeiras.

– Criar um livro: pode ser feito a partir de uma história criada pela criança ou pela família toda. Cada integrante deve contar um pedaço da história e ilustrar em uma folha. Assim que a história estiver finalizada, deve-se juntar as folhas para criar o livro.

– Desenhar conforme a música: colocar várias músicas para tocar, enquanto cada pessoa desenha o que esse som representa. Conforme o ritmo for mudando, deve-se trocar o papel com a pessoa ao lado. Depois de tocar toda a playlist, analisar os desenhos e conferir o resultado. 

– Trilha de fios de lã: a ideia é desenrolar um novelo de lã, começando por uma maçaneta. Passar a lã por vários objetos e móveis, e terminar em um ponto onde estará o prêmio (pode ser um chocolate ou guloseima, ou um brinquedo novo para incentivar a busca pelo final da linha).

Erica Hong é jornalista, apaixonada pelos seus cachorros e ama ler os mais diversos temas. Sociedade e cultura a inspiram. Admira quem dá voz àqueles que precisam ser ouvidos e sonha um dia também dar luz às questões sociais que vivemos.

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