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Adoção: antes e durante a pandemia - Revista Familia Cristã

Adoção: antes e durante a pandemia

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Um processo que envolve uma diversidade emocional muito grande e exige uma longa e consciente preparação

Por Hália Pauliv

Adoção é encontrar pais para uma criança que necessita tornar-se filha. Antes de tudo, concordamos com Souza, no livro Adoção: exercício da fertilidade afetiva (p. 24), que nos diz: “Adotar é amar uma criança, seja ela filha consanguínea ou não. Deve ser uma decisão consciente e livre de preconceitos pessoais, com doação de si mesmo. São comprometimento e paternidade responsável, estabelecida pela vontade das pessoas”.

Esclarecendo: filho consanguíneo ou genético é aquele que nasce e permanece na família que o gerou. Filho adotivo é o que muda de família. Filhos biológicos todos são.

Sempre que se fala na adoção de filhos, acrescentam que haverá dificuldades e burocracia. Certo tempo sempre será preciso para acontecer esse desejado encontro. Não dará certo se adultos e criança acolhida numa Casa de Acolhimento não estiverem preparados psicológica e emocionalmente.

Em Adoção e a preparação dos pretendentes (p. 22), Souza e Casanova relatam: Preparar é oferecer esclarecimentos e informações (sobre o que irá acontecer) para favorecer ou predispor os atores a atingir seus objetivos”.Os futuros pais precisarão decidir o que desejam, e a criança acolhida precisará entender que mudará de família, e isso não deve nem poderá acontecer de uma hora para outra.

Dificuldades existem? Sim, existem. Inicialmente, deverá existir uma decisão consciente dos adultos. Devem entender a motivação, compreender por que desejam exercitar a paternagem. Virão os documentos necessários, as entrevistas e o curso preparatório com informações jurídicas, sociais e emocionais.

As reclamações dos adultos já aparecem. Burocracia! Pais consanguíneos não fazem curso (infelizmente)! A preparação e o caminho judicial oferecerão segurança para os pais e para a criança.

Se o caso dos pais for infertilidade ou esterilidade, existe um “luto” pela perda do filho consanguíneo. Isso precisará estar elaborado, aceito. Por outro lado, existe também o “luto” que a criança, se for mais crescida, sente pela perda de sua família de origem. Muitas vezes sofreram negligências, maus-tratos, violência, mas é a família que eles conhecem.

Com tudo isso, a criança sente dificuldades para entender o que é família. Sente medo da nova situação, das novas pessoas. Assim sendo, precisará de um tempo com os novos pais, chamado “aproximação”, a fim de se conhecerem. Se tudo seguir bem, passará para a convivência, podendo passar finais de semana com a nova família. Depois virá a guarda provisória e, finalmente, a adoção.

Foto Phanatic – Unsplash

Condições para se assumir um filho

Antes de tudo isso acontecer, durante as entrevistas e o pedido para entrarem no processo de adoção, os pretendentes, solteiros ou em duplas, precisam pensar nos seus limites pessoais para assumirem um filho. De que idade? Qual o perfil de filho desejado?

Em primeiro lugar, é preciso pensar na sua idade pessoal. Muitos com idade avançada desejam um filho pequenino, com até três anos, no máximo. Perguntamos: serão pais ou avós? Quantos anos estão juntos? Que idade o filho teria, se o tivessem gerado?

Quem deseja um filho pequenino terá que esperar muito. A “fila” de pretendentes para essa idade é enorme. Crianças maiores e grupos de irmãos também desejam ser adotados. E a cor da pele? Lembramos que um filho adotivo “não precisa” ser parecido com os pais.

Nesse pré-natal psicológico, os pretendentes à adoção poderão refletir sobre seu projeto, obtendo esclarecimentos e informações, e adquirir maturidade sobre o tema. Poderão até mudar de opinião sobre o perfil de filho inicialmente desejado, prevenindo, assim, determinadas situações.

De antemão, avaliarão seu potencial, seu estilo de vida e olharão para dentro de si. Entenderão que adoção não é um conto de fadas, mas uma verdadeira montanha-russa, como a de todos os pais. Será necessário amadurecer, e isso exige tempo. Tempo para si, para o cônjuge e para a criança que é acolhida.

Do mesmo modo, poderão avaliar os sentimentos que surgem, como medo, dúvidas, raiva pela espera e inveja dos pais que já têm família. Tudo acontece na espera pelo filho. Entenderão que um filho tem contrato vitalício com os pais.

Pais em espera ficam ansiosos para fazer o enxoval material. Isso não é possível. Guardar, poupar é a solução. Poderão fazer pesquisas de tela na janela, se receberem um pequenino, portão nas escadas, preços de berço, cama ou beliche. Não será possível comprar roupas antecipadamente, pois crianças têm biótipos variados: magrinhas, gordinhas, maiores ou menores do que sua idade cronológica. Vale lembrar ainda que a idade cronológica nem sempre corresponderá à idade mental.

Adoção em tempos de pandemia

Pois bem! E a pandemia? Sim, a pandemia trouxe a necessidade de descobrir novas formas de trabalho para os técnicos e para os pretendentes. Inicialmente, houve uma parada para entender o novo momento. Descobrir alternativas. Depois, após o domínio da nova situação, tudo foi retomado.

Os processos estão em andamento normalmente. As Varas da Infância estão trabalhando virtualmente, tendo audiências por esse novo caminho. Os pretendentes enviam seus documentos por correio eletrônico, o que causou inicialmente a dificuldade de conquistar conhecimentos tecnológicos.

As adoções seguem dentro da normalidade. Estão priorizando o atendimento aos pretendentes já habilitados, e a entrega dos filhos está acontecendo. A demanda de trabalho dos técnicos é grande, e em muitos lugares há poucos profissionais, que atendem as diversas questões jurídicas. Houve uma aceleração da guarda provisória das crianças para evitar aglomeração nas Casas de Acolhimento, pois as habitações são coletivas.

As crianças, se necessário, continuam sendo acolhidas. Com a pandemia, os padrinhos afetivos e as famílias acolhedoras têm desempenhado um papel muito importante. Acolhem as crianças em suas moradias, evitando a aglomeração e oferecendo um atendimento individualizado.

Hália Pauliv de Souza é mãe e avó pela via adotiva, membro do Grupo de Apoio Adoção Consciente, de Curitiba (PR), autora de Adoção: exercício da fertilidade afetiva, entre outros livros. Acesse: adocaosegura.com.br. 

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