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Descobrindo o mundo das abelhas sem ferrão e os benefícios de seus produtos

Descobrindo o mundo das abelhas sem ferrão e os benefícios de seus produtos

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Já pensou em criar abelhas no quintal? Isso está cada vez mais comum entre os brasileiros, afinal, temos cerca de 300 espécies de abelhas nativas no Brasil

Por Melissa Maciel

As abelhas surgiram muito antes do homem, há mais de 100 milhões de anos, fazendo parte da história de diferentes civilizações. As abelhas são os únicos insetos que alimentam as crias com o pólen, por isso suas visitas às flores são constantes e frequentes. Seja nas áreas rurais ou urbanas, existe uma diversidade de espécies de abelhas à nossa volta, vivendo bem perto de nós.

Embora exista um aumento na criação de abelhas nativas, essa prática ainda é pouco conhecida pelo país. As abelhas nativas, segundo informações da Associação Brasileira de Estudo das Abelhas (A.B.E.L.H.A), são responsáveis por até 90% da polinização das árvores nativas. Porém, a grande maioria dessas espécies é de abelhas sem ferrão solitárias, que não vivem em colônias.

Cada região do Brasil possui determinadas espécies e a regulamentação de cada estado orienta para que se criem apenas as espécies daquele determinado bioma. Em alguns estados brasileiros, as regulamentações sobre o manejo de abelhas consideram crime ambiental ingressar em determinada região com uma espécie que não seja nativa daquele local.

No litoral norte gaúcho, município de Morrinhos do Sul, comunidade de Três Passos, o jovem agricultor ecológico Leandro Borges Evaldt, de 25 anos, é um dos adeptos da criação de abelhas nativas. Leandro conta que convive desde criança com a criação de abelhas na família, porém a espécie era a europeia, Apis melífera, que veio para o Brasil na época da colonização.

Dentre as mais de 16 mil espécies de abelhas existentes no mundo, a abelha mais popular é a Apis melífera, conhecida também como abelha europeia ou africanizada, a qual possui ferrão e tem picada dolorida. Essa espécie está presente em todo o Brasil e produz a maior parte do mel que consumimos.

No entanto, o que muita gente está descobrindo é a existência de outro grupo de abelhas, as chamadas “abelhas nativas”, grupo bastante diversificado de abelhas, com mais de 400 espécies no mundo todo. No Brasil, são cerca de 300, sendo o país com a maior diversidade de abelhas sem ferrão do mundo. E, por não possuírem ferrão, consequentemente, não há necessidade de utilizar trajes especiais para criá-las. Algumas delas, inclusive, fazem méis saborosos. “Curioso que sou, passei a pesquisar espécies de abelhas e descobri que o Brasil é o país com a maior diversidade de espécies de abelhas e que elas, por serem nativas, não tinham ferrão. Depois disso passei a pesquisar quem criava abelhas no Sul do Brasil, e encontrei no litoral sul catarinense as minhas primeiras espécies nativas, Mandaçaia e Manduri Rajada”, explica Leandro, que atualmente possui cerca de 20 colmeias de variadas espécies no jardim de casa no Rio Grande do Sul.

Grande parte das espécies de abelhas sem ferrão, entre elas as mais conhecidas, como a jataí (Tetragonisca angustula), mandaguari (Scaptotrigona depilis), guaraipo (Melipona bicolor), jandaíra (Melipona subnitida), mandaçaia (Melipona quadrifasciata), tiúba (Melipona fasciculata) e uruçu (Melipona scutellaris), constrói seus ninhos em cavidades preexistentes em troncos de árvores. Outras constroem seus ninhos no solo, utilizando formigueiros e cupinzeiros abandonados, ou ninhos aéreos, presos a galhos ou paredes.

Cada dia mais pessoas comuns, sem formação em apicultura, têm-se interessado em aprender mais sobre a criação de abelhas e valer-se de seus principais produtos, como o mel e a própolis, tanto para consumo familiar quanto para iniciar um negócio.

E isso é mais simples do que se imagina. Você pode criar abelhas nativas no quintal de casa, produzir seu próprio mel e própolis e, além disso, fazer parte de uma rede em prol da conservação de abelhas, visando à preservação da biodiversidade brasileira. Em muitas culturas, quando há abundância e diversidade de abelhas nas flores, formam-se mais sementes e os frutos são maiores, mais duráveis e bem formados.

É o que defende a Associação Brasileira de Estudo das Abelhas (A.B.E.L.H.A), uma associação civil, sem fins lucrativos, com o objetivo de liderar a criação de uma rede em prol da conservação de abelhas e outros polinizadores. A A.B.E.L.H.A criou o portal https://abelha.org.br para, além de difundir informações sobre o mundo das abelhas nativas, dar dicas práticas de como iniciar a criação.

Mercado de mel brasileiro

Com a expressiva diversidade de espécies nativas e pelo aumento da criação das abelhas nativas nos últimos anos, o mercado de mel brasileiro possui um grande potencial a ser explorado. 

Segundo Daniel Augusto Cavalcante, CEO da Baldoni, empresa apoiadora da A.B.E.L.H.A, o Brasil vive um momento particular no setor, com considerável aumento nas exportações e, consequentemente, alta nos preços. Porém, segundo Daniel, é preciso melhorar ainda mais o manejo para duplicar a produção no país e aumentar o consumo do mel pelos brasileiros, pois tanto a produção quanto o consumo ainda são baixos, quando comparados aos de outros países.

abelhas
Pixabay.com/ Pollydot

Dados da Food and Agriculture Organization (FAO), em 2017, o Brasil era o 11º maior produtor de mel do mundo, com 41,5 mil toneladas. Em 2019, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção foi de 45,9 mil toneladas, volume 10,60% maior que em 2017, porém insuficiente para incluir o Brasil na lista dos 10 maiores do mundo.

No Censo Agropecuário de 2017, a média de produção por colmeia registrada no Brasil é de 19,80 quilos de mel por ano. Na Argentina, a produção de mel é de 35 kg por colmeia/ano. Contudo, embora o número de colmeias seja semelhante, existe uma disparidade acentuada na produção de mel, o que leva a reforçar a opinião de Daniel sobre a necessidade de melhorar o manejo das abelhas. Em relação ao consumo de mel, enquanto a média mundial é de 240 gramas per capita por ano, no Brasil é um dos menores do mundo: 60 gramas.

Benefícios do mel e da própolis

Ainda que tenhamos poucas pesquisas com os méis das abelhas nativas, o que já se sabe é que são mais ricos que os das abelhas com ferrão, especialmente por seus efeitos antibióticos, sem falar no serviço que fazem na polinização das plantas, consequentemente, na manutenção da vida no planeta.

O mel delas possui cerca de 200 substâncias, entre glicose, frutose, vitaminas e fitoquímicos. Essa combinação, por exemplo, permite prevenir infecções, já que desidrata e mata as bactérias. Além disso, deixa o sistema imunológico fortalecido, afastando gripes e resfriados.

Quanto à própolis, estudos recentes demonstram a eficácia contra vírus, bactérias e fungos, além de também fortalecer a imunidade, combater amidalites, proteger os dentes e acabar com a acne. Inclusive, um time de cientistas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo, em Piracicaba, avaliaram recentemente as capacidades antimicrobiana e antioxidante de amostras da própolis brasileira.

Como criar abelhas no quintal de casa?

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil, oferece curso online e gratuito para qualquer pessoa interessada em criar abelhas sem ferrão. A iniciativa é realizada em parceria com a Associação Brasileira de Estudo das Abelhas (A.B.E.L.H.A.).

Entre os tópicos abordados no “Curso Meliponicultura”, os participantes conhecem a biologia das abelhas sem ferrão e aprimoram as técnicas de manejo dessas abelhas, o que possibilita às pessoas interessadas na criação iniciarem sua atividade, seja como forma de lazer, seja como fonte de renda. Saiba mais acessando: www.embrapa.br/e-campo

Melissa Maciel é jornalista e radialista, atua na assessoria de comunicação e na Pastoral da Comunicação da Diocese de Osório (RS), e na emissora de inspiração católica, Rádio Maristela 106.1 FM. Para ela, a comunicação é relação; sendo assim, valoriza a família e sempre procura estar reunida com amigos.

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