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A importância da educação emocional - Revista Familia Cristã

A importância da educação emocional

Freepik.com

O caminho de uma educação que coloque em pauta a relevância das competências e habilidades socioemocionais

Por Amaro França

Diante de uma sociedade complexa, respostas lineares não respondem aos desafios postos. O modelo da educação moderna, consolidada nos últimos anos, respaldada na era industrial, parece já não responder aos desafios humanos da atualidade.

Estamos em plena sociedade dita do conhecimento, das novas tecnologias, mas mantemos em grande parte o mesmo nível de estrutura funcional da era industrial, principalmente no tocante a algumas práticas educativas. Ainda não sabemos até quando perduraremos nesse modelo… É bem verdade que constatamos processos e movimentos imbuídos de ações inovadoras e metodologias ativas, mas, de uma forma geral, há uma predominância de práticas educacionais tradicionalistas (formalizadas desde a sua composição estética às concepções teóricas), mantendo estruturas cristalizadas.

Seja perante um modelo tradicional, seja perante um inovador, fiquemos atentos a algo fundamental para a construção do processo educacional e de sua identidade no mundo atual: estamos diante de uma geração de jovens que se revela a mais triste de todos os tempos, mesmo com toda a produção da indústria do prazer ou do lazer. Deparamo-nos com um quadro assombroso: a humanidade está adoecendo emocionalmente, apesar de todo o avanço nas áreas da psicologia, psiquiatria e educacional.

Sociedade do cansaço

O teólogo e escritor sul-coreano Byung-Chul Han cognomina nossa sociedade de Sociedade do Cansaço, na qual se promove um caminho de poder, do desempenho, num paradigma em que cada indivíduo deve ser mais rápido, mais produtivo, enquanto sujeito de desempenho, sofrendo uma verdadeira violência neuronal.

 Assim, o indivíduo chega a altos níveis de cansaço, de esgotamento, tendo sua alma consumida. É de fazer-nos pensar quando constatamos que o suicídio está entre as dez maiores causas de morte nos Estados Unidos, ou ainda que pessoas estejam perdendo o sabor do viver, entre tristezas e quadro depressivo.

Cottonbro – Pexels

A educação, seja na família, seja na escola e/ou nas estruturas formais de aprendizagens, deve dar-se conta de para onde caminha e de qual é, de fato, o seu papel fundamental, como afirma o escritor Augusto Cury: “Uma educação racionalista, que despreza gestão da emoção, não desenvolve mentes livres e autônomas”.

Portanto, faz-se necessário consolidar uma educação que cada vez mais possa trilhar caminhos de possibilidades – nos quais os educandos sejam capazes de suscitar dúvidas, deixando de ser espectadores para se tornarem protagonistas, seguindo numa perspectiva na qual a relevância das competências e habilidades socioemocionais integre o fazer educacional, possibilitando a autonomia de cada aprendiz, para que possa lidar com suas dores, frustrações, superações e sonhos – numa inteireza de consciência do ser humano e também do ser social. Certamente, hoje, mais do que nunca, as nossas construções de aprendizagens devem trilhar esse caminho.

Uma educação que proporcione liberdade e comprometimento com a vida

Lembremos que uma perspectiva educacional que tem essa pauta trabalha com a essência da constituição humana, que, por sua vez, tem no desenvolvimento das habilidades socioemocionais o papel de desarmar entraves para os outros processos de aprendizagens, como técnica ou elementos de ludicidade favoráveis à aquisição de novos conhecimentos e interações afetivas. Em outras palavras, como reflete a grande psicóloga e autora Emília Ferreiro, se a gente não consegue criar empatia, se a gente não consegue criar afetividade, pouco vai haver de efetividade no conhecimento.

É chegado o momento em que o papel do professor, do educador, dos pais, das escolas terá a preponderância do estabelecimento e do desenvolvimento de habilidades cognitivas e não cognitivas, principalmente quanto às habilidades socioemocionais, como um fator de sucesso dos resultados das aprendizagens, no fomento de uma educação que ressignifique sentido, promovendo pessoas livres e comprometidas com um bom propósito do viver.

Amaro França é escritor, palestrante e gestor educacional, autor do livro Gestão humanizada: liderança e resultados organizacionais, da Ed. Ramalhete. Apaixonado pela educação, gosta de escrever, tendo como propósito impactar positivamente as pessoas com suas ideias, liderança e trabalho.

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