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Zen digital – Equilíbrio emocional e tecnologia - Revista Familia Cristã

Zen digital – Equilíbrio emocional e tecnologia

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A tecnologia que gera ansiedade é a mesma que gera qualidade de vida

Por João Eduardo Dias

Era 17 de março de 2020, eu começava abruptamente uma nova rotina. Eu não sabia exatamente o que era “quarentena”, nem muito bem o porquê de fazê-la. Dia de céu azul, “céu de brigadeiro”, como gosto de chamar. Clima típico de um daqueles feriados prolongados, mas sem a felicidade de quem vai passar alguns dias descansando ou se divertindo. Os olhares na rua eram de tristeza, preocupação e incertezas. As portas do comércio começavam a fechar, e as ruas, a esvaziar. Onde está aquele trânsito? E aquela loucura?

A televisão, o rádio e as redes sociais são tomadas por um único assunto: pandemia. Do menor vilarejo aos grandes centros, de norte a sul, de leste a oeste, 8 bilhões de habitantes tiveram suas rotinas mudadas e suas vidas impactadas. Até 16 de março de 2020, a vida era uma correria sem fim. Mal dava para parar e dar atenção ao outro. O tempo era curto para todos os afazeres e responsabilidades. Vinte e quatro horas pareciam uma hora em um dia. Agora, a Terra parece girar letargicamente.

A palavra de ordem passa a ser “adaptação”. Você se levanta para fazer o café e pergunta: “E agora, para onde ir?”. O escritório virou o quarto, a sala, a cozinha. A escola virou a mesa do jantar. A festa de aniversário, que seria na casa dos avós, no clube, no salão de festa ou no quintal, agora é por chamada de vídeo.

A tecnologia presente no tempo de pandemia

Aliamos à tecnologia nossas vidas. O trabalho acontece por home office, com reuniões virtuais. A comida chega por pedidos feitos por aplicativos, artistas que lotavam estádios agora fazem show por lives, e o cultivo da fé se mantém pelas transmissões ao vivo da Santa Missa.

Acordo diferente no dia 18, sem entender. Perdido. Vem a angústia, o estresse, a saudade de quem está longe aperta. Recorro a uma nova experiência, a meditação, e vejo que não sou o único, assim como a Rita, para quem não foi diferente. A Rita é aquela pessoa zen, leve, voz tranquila. Ela sempre buscou o autoconhecimento através de terapias alternativas e encontrou na meditação também uma oportunidade de melhorar sua qualidade de vida em meio ao caos.

 – João, a meditação sempre esteve inserida na minha vida. Os meus estudos sempre foram complementados com a meditação, assim como o meu trabalho. Já fiz cursos no programa “Mãos Sem Fronteiras” para ajudar outras pessoas, mas foi na pandemia que conheci o aplicativo gratuito “5 minutos – Quando você tem paz, o mundo tem paz”.

Aplicativo de meditação? Achei o maior paradoxo. A tecnologia, que nos torna dependentes e gera em nós ansiedades, agora acalma nossa mente, nos oferece qualidade de vida. Bom, eu escolhi a meditação presencial a distância, via chamada de vídeo, e a minha instrutora, Amanda Kanasiro, vem me ajudando neste processo.

Ela diz que a prática por aplicativo é muito interessante e que, principalmente para quem nunca teve contato com a meditação, é um bom caminho. O relaxamento e o controle do estresse são pontos cruciais na prática com aplicativo. A Rita, que acorda usando o aplicativo já pela manhã, compartilha comigo que os maiores benefícios são a consciência para não se estressar, o equilíbrio e a respiração, que são fundamentais na vida, e ela garante que, mesmo que a gente volte para o chamado “novo normal”, a prática pelo aplicativo se manterá sem dúvida, pois já adquiriu esse hábito durante a pandemia, assim como tem o hábito de rezar, de fazer comida ou de praticar uma atividade física.

Momento para parar e pensar no que realmente importa

Freepik.com

O que eu penso é que o mundo parou. Nós não havíamos parado ainda. Vivíamos uma correria diária e nos escondíamos atrás dessa correria, varrendo para baixo do tapete nosso verdadeiro eu, nossos sonhos, nossas dúvidas, nossas inquietudes. E agora a vida pede pausa. A mente pede pausa.

Amanda me diz que justamente um dos maiores motivos para essa busca foram e continuam sendo as crises emocionais e as crises de identidade. Sim, caro leitor, confesso que eu mesmo tive essa crise. Por que trabalho? Para que trabalho? Por que essa correria? Aonde vou chegar com isso tudo? Por quê? Para quê? Não entrar em contato com as nossas emoções e reprimi-las gera angústia, ansiedade, depressão. Por isso a meditação é completa; é nesse sentido que ela surge, para nos conectar com o nosso eu, com as nossas emoções.

E a Rita, tão leve e tão em paz, nos faz refletir: quanto mais pessoas em equilíbrio emocional, mais o mundo estará equilibrado e em sintonia. Ela tem razão. Mas lembre-se de que não é um truque de mágica, viu? A prática é diária e constante. Fácil não é, mas vale a pena. Ah, e não fique ansioso para terminar a meditação. Brincadeiras à parte, conecte-se com você. Eu me conecto profundamente com o meu eu e com Deus. Com a meditação, posso ouvi-lo e acalmar minha mente para uma experiência única, diária.

Amanhã começa um novo dia, a rotina em casa. Estarei com o fardo um pouco mais leve e a certeza de que venho me encontrando com as minhas emoções para seguir pelo caminho.

João Dias é jornalista, especialista em Marketing Digital pelas faculdades Cásper Líbero e USP de São Paulo, empresário e palestrante. Gosta de ensinar e de escrever; acredita que a educação é a ferramenta para a formação humana e a chave para a transformação social.

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