Natal: Ele está no meio de nós

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No Natal, não é o homem que vai ao encontro de Deus, mas é o próprio Deus que vem nos encontrar

Por Gilson Luiz Maia

Em Jesus Cristo, a criação é plenamente restaurada. A fé cristã se fundamenta no fato de que Deus se faz homem no seio de Maria, vem ao encontro da humanidade e arma a sua tenda no meio de nós.

O Menino da Virgem é divino e humano. Se fez homem no útero de uma jovem prometida em casamento ao justo José, da casa de Davi (cf. Lc 1,27). Recebeu os cuidados normais de um recém-nascido envolto em faixas, cresceu como todas as crianças da redondeza de Nazaré e, depois de alguns poucos anos de vida pública, foi condenado à morte na cruz.

Tudo isso significa que Deus verdadeiramente se fez homem, e a encarnação divina é a mais pura e original novidade da fé cristã: Deus nasceu no meio de nós, é o “Emanuel” – Deus Conosco (cf. Mt 1,23). Ele veio ao nosso encontro para nos salvar. Quer-nos para Ele, junto dele.

Jesus é o Filho de Deus, é Deus. Somente o Pai pode oferecer o seu Unigênito que é Deus-homem, ou, na linguagem bonita de um discurso do saudoso Papa São João Paulo II, pronunciado numa meditação de domingo, na hora do Ângelus, rezado na praça São Pedro, em janeiro de 2004: “Jesus é o rosto humano de Deus e o rosto divino do homem”.

Deus, na sua onipotência, poderia escolher outras impensáveis modalidades para nos salvar. Mas Ele quis se aproximar e contar com o “sim” da humanidade pronunciado pelos lábios generosos da jovem de Nazaré, que, plena de graça, acolhe ser Mãe do Salvador do mundo.

Quando o Natal passou a ser celebrado?

A festividade do Natal começou a ser festejada ainda no início da caminhada das comunidades cristãs. Mas foi a partir do IV século que o Natal passou a ser celebrado com mais intensidade e fé pelas comunidades que se multiplicavam e espalhavam por toda a terra.

Infelizmente, não há documentos históricos sobre a data exata do nascimento de Jesus, mas se pressupõe que ele nasceu por volta do ano 6 ou 7 a.C., considerando o equívoco do monge Dionísio (470–544) ao contar os anos para calcular e apresentar o calendário cristão. Ou seja, Jesus nasceu de 1 a 3 anos antes da morte de Herodes, atestada no ano 5 a.C.

Pixabay.com

Nos primeiros séculos, as comunidades refletiam e celebravam a morte e ressurreição de Jesus, o mistério pascal, mais que o nascimento do Menino Deus na manjedoura de Belém. A celebração da Páscoa, a vitória da vida sobre a morte, é o evento por excelência da fé cristã. A ressurreição do Senhor é o farol que ilumina cada cena da vida de Jesus, desde o seu nascimento até a morte no calvário. Depois de celebrar a Páscoa, a morte e ressurreição do Senhor, as comunidades recordaram as tradições sobre o nascimento do Filho de Deus. Claro que há um vínculo tão estreito quanto profundo entre a manjedoura de Belém e o calvário, pois o menino do presépio é o homem da cruz, o crucificado ressuscitado.

Os Evangelhos de Mateus e Lucas (capítulos 1 e 2) relatam os acontecimentos que hoje a Igreja celebra no dia 25 de dezembro. A data escolhida foi a mesma em que os romanos comemoravam a luz do sol invicto. Trata-se do primeiro dia em que o sol desafia as trevas da noite, segundo a tradição pagã festejada na antiga Roma. Por isso, o Natal é a festa da luz, e assim recordamos a solene afirmação de Jesus: “Eu sou a luz do mundo” (cf. Jo 8,12). É a luz da alegria verdadeira que bate nos corações que acolhem o Menino Deus.

Como vivenciar o Natal?

Todos somos chamados a participar e celebrar esta festa superando fragilidades e fazendo do Natal não apenas um evento social ou um feriado de fim de ano, mas redescobrindo o seu significado mais profundo: Deus se fez humano e nasceu no meio de nós. Vamos acolher, à luz do Espírito Santo, o Verbo eterno do Pai feito carne: Jesus Cristo. Mas atenção, cuidado, pois há o risco das palavras bonitas espalhadas aos ventos ou de tantos outros detalhes que brilham diante dos olhos, como os presentes e as decorações típicas. Natal é acolhida. Deus nos acolhe nele. Vem nos encontrar em nosso contexto histórico, de maneira simples, humilde e silenciosa. Na manjedoura de Belém, não havia nada de especial, a não ser corações abertos que acolhiam e se prostravam diante do mistério da Trindade. Tudo é vida, amor e liturgia do Criador, que vem restaurar e salvar a inteira criação.

Jesus é Deus, próximo e real, presente em nós e em cada pessoa, criada a sua imagem e semelhança. Vamos, na intensidade da fé, retomar, ler e reler os textos do Evangelho do Natal e deixar-nos surpreender de novo pela beleza de Deus que vem nos afagar no amor. Vem nos salvar.

Gilson Luiz Maia é padre rogacionista e traz um coração esperançoso. De sorriso fácil, acredita que há algo de errado com uma religião sem caridade. Seu último livro, O Pai-Nosso palavra por palavra, publicado pela Paulinas Editora, reflete sobre a oração do Senhor e insiste na intimidade com Deus. Longe do Pai, diz ele, não temos futuro.

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