Consumo x Sustentabilidade

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Por Gabriela Marques

Como viver em equilíbrio? Saiba como ter mais responsabilidade diante do consumo e da relação com a natureza

Desde o início da pandemia no Brasil e, consequentemente, da quarentena, muitos brasileiros têm se visto diante de novas necessidades e novos hábitos de consumo. Basta uma simples olhada no guarda-roupa ou nos armários da casa para perceber: será que é necessário tudo o que se possui? Qual percentual de itens realmente tem sido utilizado?

Mais do que nunca, nossa casa passou a ter múltiplas funções: agora, além de dormitório, também é restaurante, academia, lavanderia, cinema, escritório e escola. Isso tem trazido reflexões sobre a possibilidade de viver e se relacionar com o mundo de forma mais sustentável. “A pessoa estando dentro de casa pode se abrir para novas oportunidades, e isso se aplica a todas as soluções, porque, dentro de casa, a transição (do descartável para o reutilizável) é mais fácil”, ressalta Ana Paula Silva, cofundadora da Morada da Floresta, empresa especializada em soluções socioambientais. 

Bom para o bolso e para o planeta

Aderir a práticas sustentáveis pode trazer inúmeros benefícios, entre eles a economia, pois, mesmo que o investimento inicial seja maior, em longo prazo a diferença é facilmente percebida. Quando se fala de uso doméstico, a exemplo das sacolas retornáveis que já caíram no gosto da população, vários produtos inovadores também estão surgindo para substituir outros descartáveis da cozinha, como o plástico filme, que atualmente já tem sua versão com tampas elásticas impermeáveis e laváveis. 

Já quando, por exemplo, a família vai aumentar e decide fazer a substituição de fraldas descartáveis por fraldas de pano, a diferença pode ser ainda mais expressiva. De acordo com estudos da Morada da Floresta, a troca seria de 5.500 fraldas convencionais por 24 fraldas de pano, até o desfralde do bebê. Nessa conta, também existe a redução com produtos complementares, como a pomada para assaduras, visto que, como o material é natural, ele causa menos irritação na pele. A mesma lógica se aplica para o uso de ecoabsorventes ou lingeries absorventes. 

Além da redução de custos, práticas como essas – que podem incluir a transição para itens reutilizáveis, a separação do lixo, a compostagem de orgânicos ou o cultivo de uma horta, por exemplo – ajudam a criar uma geração mais responsável com o meio ambiente.  “A visão de mundo e a visão ecológica são valores que precisam ser criados. A criança aprende mais observando e convivendo do que quando a gente fala”, afirma Ana.

O poder das comunidades físicas e digitais

A economia compartilhada não é fruto da modernidade, mas vem ganhando novas roupagens ao longo do tempo, com o objetivo de consumir melhor, explorando ao máximo itens ou até mesmo bens materiais. 

A chegada do Uber, além de monetizar veículos que estavam parados, também proporcionou um transporte público alternativo ao táxi e mais econômico, seja no uso individual, seja na modalidade Uber pool, que consiste em compartilhar a corrida com passageiros com pontos de partida ou chegada próximos.

Ainda nessa linha, também surgiram iniciativas corporativas de carona solidária e outros aplicativos, como o Blablacar, plataforma de caronas de longas distâncias que conecta no Brasil 40 mil pares de cidades, sendo que 20 mil não são conectados por nenhuma forma de transporte público. Mas a tendência de compartilhamento também atinge outros setores. 

O mercado de turismo também vem se adaptando. Na hora de buscar por hospedagem, as opções vão além do hotel. O site Airbnb, famoso no mundo inteiro, conecta viajantes a anfitriões e conta com muitas opções de casas, quartos e experiências. Lúcia Cristina Marques, 53 anos, alugou um quarto em Florianópolis nas férias com a família, em 2017, e a experiência positiva fez com que ela também passasse a receber hóspedes em sua residência. “Quem é da minha época pode achar estranho alugar um quarto na casa de uma pessoa que você nem conhece, mas, depois de receber pessoas de vários lugares do Brasil e do mundo, percebi que a troca de experiências não tem preço”, declara. 

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Pensar de forma solidária e agir de forma que diminua o impacto no planeta

Talvez o consumo do futuro seja, na verdade, uma transformação de práticas antigas em soluções modernas. Lembra quando faltava um item da receita e as mães e avós mandavam os filhos pedirem para vizinhas? Pois bem, essa é a proposta do “Tem açúcar?”, que estimula e facilita o empréstimo de itens entre vizinhos, seja on-line, seja off-line. Itens como furadeiras, eletrodomésticos, lavadoras de alta pressão, entre outros, tornam-se mais úteis ao serem utilizados mais vezes por ano e por várias famílias; além disso, essa é uma forma de preservar o item, pois evita que o material estrague por falta de uso. 

A pandemia trouxe à tona a necessidade de se pensar de forma mais solidária e global, e isso abre espaço para novas marcas que tenham o propósito de minimizar os impactos no planeta e maximizar o uso compartilhado e reutilizável. “O que nós fazemos localmente tem um impacto global. Tudo que a gente fizer vai gerar um impacto na natureza, e vai caber a nós refletir e analisar o que gera menos impacto”, finaliza Ana.

Gabriela Marques é jornalista por formação e hoje atua como Executiva de Marketing. Falante por natureza, curiosa de carteirinha, colecionadora de momentos e apaixonada pelas boas histórias.

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