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Mulheres empreendedoras - Revista Familia Cristã

Mulheres empreendedoras

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Por Jossan Karsten

Que a mulher exerce papel fundamental, para não dizer vital, em uma sociedade não é novidade para ninguém. Infelizmente, também não é novidade que, em muitos momentos, para exercer suas funções profissionais, a mulher, principalmente no Brasil, precisa fazer verdadeiro malabarismo. Isso sem contar a diferença de salário que é gritante em relação aos homens, na maioria das empresas, evidenciando, dessa maneira, o preconceito e a desigualdade.

Não bastasse tudo isso, ainda há questões políticas e governamentais que acabam por dificultar cada vez mais a possibilidade de empreender, fazendo com que as mulheres sejam as mais atingidas nesse campo.

Empreender em família

Arquivo Pessoal

Regimara Horbux Vicentin tem 40 anos, mora em Guarapuava (PR) e é casada com Josnei Vicentin. O casal tem uma filha, Laura Vicentin, de 21 anos. Desde 1999, Regimara trabalha no setor administrativo da Personal Clinic, empresa odontológica que pertence à família.

Formada em Processos Gerenciais e atualmente cursando MBA em Tecnologia e Inovação pela Universidade Unicesumar, a administradora conta que nunca sofreu preconceito por ser mulher e estar à frente dos trabalhos na empresa. No entanto, ela sublinha que, nos últimos tempos, ocorreram muitas mudanças devido à pandemia do coronavírus, e considera o período muito delicado para todas as pessoas, principalmente para o empreendedor. 

“Vivemos em um período delicado devido à pandemia, no qual muita coisa mudou. A forma de nos relacionarmos, de trabalharmos, enfim, tudo está diferente agora. Eu, no começo da pandemia, fiquei bem assustada, pois ninguém sabia como proceder, como seria daqui para a frente. Eu, principalmente, fiquei com medo da contaminação pelo vírus. As nossas relações ficaram mais distantes, seja no trabalho, seja entre familiares, e isso me afetou, sim, pois eu gosto muito de estar perto, de abraçar e de tocar nas pessoas. E hoje, como falam muito, ‘não abraçar e não visitar virou um ato de amor’. Confesso que essa é uma grande dificuldade para mim. O que me fez entender as coisas de forma diferente é a certeza de que vai passar e, para que estejamos todos bem, precisamos nos cuidar”, destacou Regimara.

Tempos difíceis

Entre as maiores dificuldades enfrentadas atualmente como mulher empreendedora, segundo pontua a administradora, estão a alta carga tributária e o descaso dos governantes para com os empresários, que precisam fazer verdadeiros milagres para manter os empregos e para honrar com os compromissos.

Em se tratando das mulheres, Regimara lembra que as dificuldades são ainda maiores, pois, além da preocupação profissional, ainda há a administração familiar, que precisa ser levada em conta, acarretando, assim, várias jornadas de trabalho.

“Como mulher empreendedora, meu maior desafio é enfrentar o descaso do governo para com os empresários. É gritante a falta de incentivo dos governantes. Um exemplo disso é a alta carga tributária. E hoje, diante da pandemia, um imenso desafio que todos nós enfrentamos é ver os preços subirem abusivamente, inclusive produtos de proteção individual, itens de supermercado, e ninguém tomar uma atitude. Deixamos nossos filhos, casa, familiares, para nos dedicarmos a uma empresa na qual geramos empregos e oferecemos serviço de qualidade à comunidade. Mas noto que as dificuldades só aumentam para manter todas as coisas funcionando, sem ter retorno algum do governo. Isso é um imenso desafio para todos nós empresários”, lamenta.

Católica, catequista e tendo a família como base de sustentação da sociedade, Regimara sublinha que trabalhar em uma empresa familiar é muito gratificante, pois eleva o grau de confiança entre as pessoas envolvidas no processo. A disciplina, em se tratando do cumprimento das tarefas, segundo a empresária, é fator muito importante para que o andamento dos trabalhos não fique comprometido.

“Trabalhar em uma empresa familiar não é diferente de trabalhar em qualquer outra empresa. Exige disciplina em todos os sentidos, principalmente em saber dividir os momentos. Quando se está em casa, optar por não falar da empresa. É muito saudável e gratificante você ter a confiança e a parceria do seu esposo em busca do melhor para a família e para a equipe. A convivência profissional não interfere na pessoal, desde que, repito, haja disciplina. Com minha filha, a experiência foi de aproximação, pois é possível administrar melhor seu tempo e fazer dele prazeroso sem faltar com a atenção na empresa”, explica.

Negócio próprio

Entre as muitas mudanças proporcionadas pela pandemia, trabalhar por conta própria desponta como a principal. Muitas empresas adotaram o sistema home office e perceberam que os resultados foram satisfatórios tanto para o empregado como para os patrões.

Pesquisas mostram que o número de mulheres que decidiram começar um negócio próprio neste período é muito maior do que o de homens que fizeram a mesma opção. Questionada sobre dicas para as mulheres que desejam empreender, Regimara pontuou que tudo começa com o amor. Sem esse sentimento, conforme lembra, o trabalho está fadado ao fracasso.

“A dica que eu dou para as mulheres que vão iniciar em uma empresa familiar é amar. Ame tudo o que você faz. Através do amor, você vai querer dar seu melhor, vai estudar mais, se dedicar mais, e colherá resultados satisfatórios. Tenha foco, disciplina e meta. Não pare. Invista na empresa, mas invista em você também, no seu conhecimento, no seu visual, na sua vida pessoal, enfim. Mesmo que seja difícil, se permita muitas vezes sair da rotina, isso é muito estimulante”, revela.

Não há receita no mundo do empreendedorismo. O que dá certo para uma pessoa, para um segmento, talvez não sirva de exemplo para outros, pois há muitos aspectos que influenciam esse caminho repleto de armadilhas e desafios. No entanto, há questões que são unânimes entre os empreendedores: sonhos, foco e fé são fatores primordiais para que haja crescimento e desenvolvimento com qualidade.

Desafios

Free Photos – Pixabay

Mulheres desistem menos de tarefas em comparação com os homens. Segundo a psicologia, isso se dá pelo fato de a mulher não ter medo de sonhar e ir ao encontro desse sonho. É fator genético. Regimara pontua que, enquanto mulher, esposa e mãe, pretende levar adiante os sonhos, pois, sem eles, nada se concretiza, tanto na vida profissional como na vida familiar.

“Meu sonho, enquanto mulher, é seguir com meu esposo Josnei, que Deus me apresentou, e eu escolhi viver todos os dias da minha vida ao seu lado. Juntos, vamos continuar trabalhando em nossa empresa, sempre evoluindo, conhecendo pessoas. Nosso objetivo é continuar prestando um serviço que nos orgulhe e seguir buscando nossas realizações profissionais e pessoais, e a principal delas é ver nossa filha Laura formada, feliz e seguindo o destino, ou melhor, o sonho dela. Eu me desafio todos os dias e sempre imponho minhas metas, e isso precisa ser feito continuamente. Sair da zona de conforto é saudável e necessário. Você precisa fazer isso, seja na empresa, seja com seu corpo, seja com os estudos. O acomodar-se, na minha opinião, é frustrante. Ter desafios e metas, como disse, é muito saudável, mas é necessário ter conhecimento da causa assumida para não dispensar energia em projetos que não darão certo e que poderão gerar frustração. Não se cobrar tanto e se permitir errar, aceitar que errou e fazer diferente, lembrando que, além da empresária, existe ali uma mulher, com sentimentos, com desejos, com família, e, sim, fazer todos os dias valerem a pena”, conclui Regimara.

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Desafios e sonhos em tempos de pandemia

Jossan Karsten é escritor, jornalista e publicitário. Tem 13 livros publicados, além de roteiros para TV, cinema e teatro. Fomenta a paixão pela literatura, ciclismo e animais. Há cinco anos, atua como assessor de comunicação na diocese de Guarapuava (PR).

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