Refletindo o sentido da vida: afinal, por que existimos?

Por Edson Kretle

Cada um de nós carrega em si algo que nos impulsiona a buscar em cada ato um sentido para nosso existir. Essa procura por “uma vida digna de ser vivida” (Sócrates) nos possibilita pensar no que estamos fazendo com nós mesmos.

Diante da complexidade do tema, vale lembrar a indagação de Santo Agostinho: “O que eu sou, meu Deus, qual é a minha natureza?”. Destacamos que traremos algumas propostas e reflexões oportunas ao desafio dessa temática, e não respostas. Acreditamos que todo dia é sempre adequado para pensarmos sobre qual tipo de vida vale a pena viver.

Gabriel U – Unsplash

Segundo Aristóteles, geralmente colocamos como meta de vida três coisas que apenas nos levam ao sofrimento. Para ele, erramos quando depositamos nossa vida no prazer. O prazer é algo positivo, porém ele sempre se torna insatisfeito quando conseguimos o que aspirávamos.

Em seguida, no mundo onde todos desejam “bombar” nas redes sociais, a busca pela “fama” nos faz perder tempo pensando no que os outros esperam ver em nós. Isso nos leva a uma vida inautêntica, ou melhor, um tipo de vida em que somos os mais mentirosos para nós mesmos.

Por fim, nesse mundo onde quase tudo pode ser comprado, pensamos ser a riqueza o sentido último do nosso existir. Estudar pensando no resultado do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), ir para a faculdade pensando no emprego, trabalhar pensando na casa própria, e assim por diante.

Nesse culto cego ao ter, iniciamos uma corrida infinita no rumo contrário do que poderia ser uma vida que realmente signifique nossa existência. Talvez um dos motivos do nosso consumismo atual se dê em quem ainda não encontrou um norte na vida, pois são pessoas que mais facilmente podem ser convencidas de que o prazer, a fama e o ter lhes trarão ao menos uma falsa sensação de completude.

Diante do que foi exposto, em linhas gerais, podemos explorar três atitudes fundamentais nessa busca: liberdade, convivência e reflexão. Passemos a elas.

Tatiana Syrikova – Pexels

No mundo pós-moderno, o espaço é muito maior que antes para fazer escolhas. Essa maior liberdade aumenta também nossa obrigação em fazê-las, causando-nos angústia. Não podemos pensar nesse sentimento como algo negativo, mas como uma grande possibilidade de assumir nossa responsabilidade pelas nossas próprias decisões. Nesse sentido, tomamos a consciência de que a “estrada é somente sua. Outros podem acompanhá-lo, mas ninguém pode andar por você” (Mário Quintana).

Outro ingrediente importante é que ninguém consegue encontrar um sentido sozinho. Nosso egoísmo exagerado nos conduz ao apequenamento de nós mesmos. Logo, a semente de nossa tão desejada busca pelo sentido jamais germina no terreno árido de nosso egoísmo. Portanto, “nós não precisamos de muita coisa. Só precisamos uns dos outros” (Oscar Wilde).

A liberdade e a convivência seriam cegas se não fossem guiadas pela coluna da reflexão. Uma vida bem pensada nos orienta como uma luz nesses tempos de massificação de identidades. A missão de cada um é iniciar relações novas, iluminados pela Sabedoria Divina. Um dia, descobriremos, talvez, que o verdadeiro sentido da vida consiste em “querer mudar o mundo e ter a coragem de começar por si mesmo” (Sérgio Vaz).

Edson Kretle é professor de Filosofia do Instituto Federal do Espírito Santo (IFES), doutorando em Filosofia pela UFES. Ama ensinar e ler, acredita na bondade humana e no futuro melhor para todos.

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