O que aprender com a pandemia?

Por Edson Kretle dos Santos

Cinco lições para um novo normal

Nosso tempo nos convida a algumas reflexões. Continuar com os mesmos hábitos após esse ano é voltar a repetir os erros clássicos. Precisamos aprender algumas lições dessa cruel professora chamada pandemia, uma vez que, mesmo diante do triste anoitecer desse 2020, devemos saber que essa tenebrosa noite de mais de seis meses também está para o dia. São muitos desafios, reflexões e lições que a pandemia nos traz, porém, neste breve escrito, vamos falar de cinco lições essenciais para o nosso “novo normal”.

Em quinto lugar, apoiar nossos professores e a educação é o mesmo que moldar no agora o nosso amanhã. Com a pandemia, muitos estudantes não perderam apenas o ano letivo, mas também o único espaço propício ao conhecimento e afetos. Mesmo assim, diante das incertezas e sem as mínimas condições de trabalho, nossos professores mais uma vez esbanjam criatividade e uma responsabilidade pelo mundo. Até tentamos ajudar os filhos nas lições, porém nos deparamos com a falta de preparo para uma tarefa que exige formação e experiência.

Em quarto lugar, aprendemos a reconhecer o valor do profissional da saúde. Eles deram uma lição de coragem ao colocar suas vidas e de seus familiares em risco pelas nossas. Tornaram-se um farol quando nos deparamos com os tempos sombrios e com a fragilidade da condição humana. Evidentemente que sempre dependemos deles, mas, neste momento, nossa existência seria impossível sem eles. De nossas casas, seguiremos sempre torcendo por vocês, admirando-os e lutando pela valorização do seu trabalho e do nosso Sistema Único de Saúde (SUS).

Andrea Piacquadio – Pexels

Em terceiro lugar, descobrimos a importância de cuidar do nosso próximo. O amor pelo próximo implica que somos todos responsáveis uns pelos outros. Devemos seguir não o egoísmo e a indiferença de Caim – “Sou acaso guarda de meu irmão?” (cf. Gn 4,9) –, mas sim o exemplo do bom samaritano (cf. Lc 10,25-37). Evitemos desculpas para fugir do dever de amar nosso próximo. Então, agora, a pergunta não é quem é meu próximo, mas o que fazemos para nos tornarmos próximos do outro.

Em segundo lugar, compreendemos o valor da família. Somente esse tempo de distanciamento social nos fez perceber a importância de estar com nossos entes queridos. Claro que tivemos momentos de estresse, mas, com toda certeza, tivemos também muito mais respeito, diálogo e amor. Resta-nos a célebre lição de Madre Teresa: “Quer mesmo a paz mundial? Vá para casa e ame sua família”.

Por fim, com a quarentena, conhecemos a distinção entre solidão e estar só. A solidão é o abandono do outro e de minha própria companhia. Já estar só consiste em estabelecer um relacionamento consigo mesmo. Nosso estar só foi produtivo porque nos lembrou de como estávamos esquecidos, distantes de nós, com a consciência em tantas outras coisas que não em nós mesmos, tais como trabalho, dinheiro, carro, política e outros.

Nos passos de Lucas capítulo 12, versículos 13 a 21, vale ressaltar que, se tudo termina com a nossa morte material, não há nada a perder, a não ser o significado da nossa própria existência. Então, gostou dessas cinco lições? Se sim, não fique aí parado, “vá, e faça a mesma coisa” (cf. Lc 10,37).

Edson Kretle dos Santos é professor de Filosofia do Instituto Federal do Espírito Santo (IFES), doutorando em Filosofia pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Ama ensinar e ler, acredita na bondade humana e num futuro melhor para todos.

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43 COMENTÁRIOS

  1. Belas palavras de sabedoria, ótima citação! Nesse momento tão conturbado precisamos de pensamentos positivos, e você trás está reflexão linda e cheia de sabedoria!!!
    Parabéns professor!!!

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