A fé na primeira infância

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Foto: Géssica de Abreu

Os pais estão sempre imprimindo valores em seus filhos; através de palavras, gestos e comportamentos, colocam a semente da fé no coração dos pequenos

Por Carmem Maria Pulga / NUCAP

Uma primeira infância com amor, cuidados e interação pavimenta o caminho para uma vida adulta equilibrada, saudável e feliz. Quando cultivada com pedagogia, a semente da fé desabrocha, dando força e sentido às lutas e conquistas da vida humana.

É assim que o casal Felipe e Vanessa cuidam dos filhos Henrique, de 6 anos, e Clara, de 4. Eles assumiram o propósito de passar para os filhos os valores e princípios cristãos, como a compaixão, a empatia, o respeito e a fé, além da confiança de que somos amados e protegidos por um amor maior, que tudo criou com um fim bom.

Com esse intuito, aproveitam as oportunidades do cotidiano, nas quais as crianças interagem, para abrir os olhos dos pequenos à percepção de um Deus que nos ama e nos presenteia, em toda a criação, com uma vida de relações gratificantes.

Num dia desses, durante uma viagem, os pais mantinham um diálogo nesse sentido, quando Henrique reparou na sinalização dos quilômetros ao longo da rodovia e exclamou: “Pai, olha o metro de Deus! Como é grande, não tem fim”.

Os pais estão sempre imprimindo valores em seus filhos. Mesmo sem dizer nada, através dos gestos e comportamentos, colocam a semente da fé no coração dos filhos.

Certa vez, um professor perguntou aos alunos o que sabiam sobre Deus. Um pequeno levantou a mãozinha: “Eu não sei quem ele é, mas sei que é grande, muito grande, porque meu pai é um grande empresário e, quando conversa com gente grande, fica sempre de pé ou sentado, mas, quando ele fala com Deus, ele se ajoelha”.

Para refletir

Ensinar as crianças, desde a mais tenra idade, que Papai do Céu cuida de tudo e de todos, que temos um anjo que nos guarda, uma Mãe que nos deu Jesus, o Filho de Deus, e que Jesus nos ensina a sermos irmãos, é garantir – muito antes que aprendam os conceitos e definições da fé cristã – um pedacinho de céu no coração dos pequenos. Estudos confirmam que essas crenças internalizadas através das falas e atitudes dos familiares – pais, avós, tios, padrinhos – constituem a espiritualidade do “eu” e, quando cultivadas, podem tornar as crianças em adultos felizes, fortes, confiantes e capazes.

Desde o nascer, o ser humano é dotado de capacidades inatas para a fé. Essas capacidades serão ativadas conforme o modo como a criança é recebida no mundo e no ambiente no qual ela cresce. O “eu” religioso emerge das experiências relacionais, desde o nascimento, evoluindo ao longo do ciclo da vida. É sempre relacional, sempre há um outro na fé, porque é uma permuta na confiança.

Como é importante crescer acreditando que alguém olha por nós com amor, não para nos castigar, mas para nos educar. Deixar claro para os pequenos que Deus não castiga. Entre as muitas leis que governam a criação de Deus, há uma lei chamada de “ação e reação” da vida, isto é, as consequências de nossas ações retornam na mesma intensidade. As leis de Deus nunca são de castigo: “A lei do Senhor é perfeita, e refrigera a alma; o testemunho do Senhor é fiel, e dá sabedoria aos simples” (cf. Sl 19).

Para rezar

Para os pequenos, é recomendável escolher bem as orações. Por exemplo, alguns salmos que falam da criação, como o Sl 8, a oração do Pai-Nosso, do Santo Anjo do Senhor, a primeira parte da Ave-Maria. A segunda parte da Ave-Maria vem da tradição, pode ser mudada, ensinando as crianças a falar com Nossa Senhora como se fala com uma mãe.

Orações como a Salve-Rainha é incompreensível, inadequada para os pequeninos. A Paixão de Jesus também tem que ser bem pensada antes de apresentá-la aos menores. Dos Evangelhos podemos tomar a anunciação, o nascimento e a infância de Jesus, as parábolas e alguns ensinamentos, como Mt 19,13-15; Mc 9,36-37.

Os pais podem fazer muito para ajudar os filhos a entender que Deus é um Ser invisível, mas real e amoroso. Isso pode ser feito chamando a atenção deles para as obras criativas de Deus. Mostrar como Deus deu as condições para cada animalzinho viver no seu hábitat e ajudar os pequenos a ver as qualidades de Deus que a criação revela. Santo Agostinho diz que o primeiro livro que Deus escreveu foi a criação.

Para viver

Ensinar as crianças sobre o amor de Deus que se manifesta de tantas formas, especialmente na criação, na acolhida, no perdão, no amor mútuo. Rezar com elas com gestos adequados, como juntar as mãos, ajoelhar-se, fechar os olhos para se concentrar na presença de alguém invisível. Ao rezar ou falar de Deus, dê o sentido do sagrado.

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Pexels.com /Nicole Michalou

No site da Livraria Online da Editora Paulinas, você encontra muitas obras que ajudam neste sentido: Ex.: Salmos dos pequeninos; Meu livro de Orações (Este livro reúne mais de cem orações para o dia a dia e ocasiões especiais); As mais belas orações (com ilustrações próprias à compreensão das crianças); A história de Jesus narrada às crianças; Parábolas etc.

Carmem Maria Pulga é filósofa, teóloga, mestra em Novas Tecnologias da Comunicação e autora dos livros A pétala e Divino livro proibido, ambos publicados pela Paulinas Editora. Gosta de arte, desde a culinária até a sucata, e ama ler os autores mais ecléticos.

NUCAP (Núcleo de Catequese Paulinas) tem o objetivo de captar não só agentes multiplicadores locais, sintonizados com o projeto editorial: professores de Bíblia, liturgia e catequese, como também catequistas experientes e com alguma especialização na área bíblico-litúrgica, para atender à necessidade de apresentar os títulos publicados, acompanhar as etapas após a adoção das coleções, estabelecer parcerias em cursos com dioceses e paróquias e divulgar os cursos EAD em catequese. Acesse Paulinas Cursos e confira!

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