Fé – do coração das mães ao coração dos filhos

Fé
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Por Carmen Maria Pulga

Testemunho de vida

Luan é um adolescente que não gosta de acompanhar os pais na missa ou em práticas da comunidade, mas aceita carinhosamente a benção dos pais antes de deitar e, sobretudo, reza com a mãe a oração do Pai-nosso e da Ave-Maria. Neste momento a mãe aproveita para dar um sopro de fé através de frases bíblicas ou exemplos de atitudes virtuosas: perdoar faz bem, a Deus ninguém engana, rezar nos torna corajosos, para Deus tudo é possível, etc. 

Luan não interage, mas guarda com respeito os lembretes da mãe, que não desiste, certa de que está depositando sementes de espiritualidade no coração do filho. 

 Mãe, costuma rezar com seus filhos? Orar com o coração? 

Para refletir

Em tempos difíceis, de relações frenéticas e falta de tempo, precisamos de corações que se abram para o transcendente como antenas para conectar as novas gerações com o que há de mais importante: o sentido da vida. 

Quem são os primeiros candidatos para essa arte senão os corações femininos? A mãe, a avó, a catequista, mulheres que exercem maior influência sobre os pequenos. Verdadeiras embaixadoras da fé, que acreditam que tudo pode ser mudado pelo poder da oração. 

Orar é antes de tudo voltar nosso coração para o alto, buscar a face de Deus, escutar sua voz que nos chega através da Palavra revelada, do testemunho dos antepassados e pelos acontecimentos, em nossas relações com o cotidiano. 

A experiência da maternidade ensina a mulher a escutar os sinais da vida quando ela ainda não é manifesta. Por isso, a mãe, melhor do que ninguém compreende que na união entre o óvulo e o espermatozóide, há uma interferência divina, que independente de nossas opções, imprime no ser humano a capacidade de ser livre, autônomo, original, com sede de imortalidade. Por esta experiência, as mães, sabem melhor, despertar para a fé, cultivar a semente da vida espiritual com uma sabedoria e amor únicos. 

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A mulher que aprendeu a auscultar o coração do filho escondido em seu ventre, está mais preparada para escutar o pulsar de Deus  – escondido e silencioso – em cada movimento de vida e, portanto, capaz de nos ensinar a transcender, a crer, a esperar, a amar para além das mazelas humanas.  

É a mãe que nos ensina balbuciar as primeiras palavras, a escutar os primeiros sons, a observar o desabrochar das flores, contemplar as estrelas, o nascer do Sol e nos estimula a agradecer o Criador, pedir a proteção dos anjos e a mandar um beijinho para Jesus; dobrar os joelhos, juntar as mãos em prece, rezar Ave-Maria, o Pai-nosso.  

E quando a mãe desperta para o infinito, para a carícia do Deus Criador que nos quer em seu próprio colo, porque nascemos do seu amor e, por seu amor somos imortalizados, temos mais possibilidades de encontrar sentido em tudo o que nos cerca. A criança que aprende no colo da mãe o que é a fé leva para a vida um legado espiritual inesquecível.  

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Quantos homens e mulheres de fé fizeram diferença na política, na cultura, na saúde, na arte, na sociedade e devem isso à sua mãe. Um exemplo, entre tantos, é o de Abraão Lincoln, um dos maiores presidentes do Estados Unidos: Eu me lembro das preces da minha mãe e elas têm sempre me acompanhado. Elas se uniram a mim durante toda a minha vida.

Santa Mônica é outro exemplo clássico: a mãe que rezou e chorou pelo filho Agostinho durante 30 anos e deu ao mundo um dos maiores santos.  Com fé e esperança Mônica acreditava que Deus agiria no momento certo. E como agiu!

Quando uma mãe faz uma prece pelo filho, ela arromba as portas do céu. (Chico Xavier)

Hoje, como sempre, ou como nunca, precisamos dessas embaixadoras da fé, capazes de encontrar tempo para falar de Deus com seus filhos e falar com Deus sobre seus filhos. 

Para rezar

Na Bíblia temos inúmeros exemplos de mães que venceram pela fé e deram ao mundo profetas, libertadores e mártires. Joquebede, a mãe de Moisés (A mulher concebeu e deu à luz um filho; e, vendo que ele era formoso, escondeu-o três meses… Êx 2.1-9); Ana, a mãe de Samuel (Ana se levantou e, com a alma amargurada, chorou muito e orou ao Senhor…

Assim Ana engravidou e, no devido tempo, deu à luz um filho. E deu-lhe o nome de Samuel, dizendo: “Eu o pedi ao Senhor.” Sm 1.9-20); Salomé, a mãe dos Macabeus (Particularmente admirável e digna de elogios foi a mãe que viu perecer seus sete filhos no espaço de um só dia e o suportou com heroísmo, porque sua esperança repousava no Senhor. II Macabeus 7:20); Maria, a mãe de Jesus (Quando chegou o tempo, Deus enviou seu Filho nascido de mulher. Gl 4,4). Estes são alguns dos exemplos deixados na Bíblia Sagrada, e que continuam até hoje a inspirar mulheres na transmissão da fé e do amor aos seus filhos.  

Maria foi, sem dúvida, a mãe mais importante de toda a Bíblia. “Não tenhas medo, Maria, porque encontraste graça diante de Deus” (cf. Lc 1, 30).  Maria de Nazaré, a Mãe de Jesus foi escolhida por Deus porque “cheia de graça”, isto é, agraciada, plena de Deus. E foi com ela que Jesus aprendeu a rezar, a compreender o Projeto do Pai e sua missão redentora. Ela ensinou Jesus tudo o que de melhor havia aprendido de seus pais, avós e mestres de sua época. Por isso o evangelista Lucas deixou registrado que aos 12 anos Jesus crescia em Sabedoria e Graça diante de Deus e diante dos homens.  

“Maria guardava todas essas coisas, conferindo-as em seu coração” (cf. Lc 2, 19). É assim que as mães de fé educam. Na escuta, no cuidado, no discernimento, buscando a ajuda de Deus para tecer com nobreza o caráter de seus filhos. 

Após ouvir essa canção, fale com Deus sobre seus filhos, netos, crianças da catequese ou alunos. Reze pelos educadores, pelos formadores de opinião, etc. 

Ensine a rezar como Jesus ensinou seus discípulos: “Pai-nosso que estais no céu…”

Para viver

  • “Falar com sabedoria e ensinar com amor” é ensinar com o coração. Mais do que palavras, atitudes.
  • Servir-se dos novos meios de comunicação para ilustrar, dialogar e saborear as coisas da fé, que nos conectam com a transcendência. Aprender da pedagogia de Jesus que ensinava a partir da realidade: pão, peixe, agulha, moeda, vassoura, patrão, empregado, etc.
  • Use a imaginação. Faça junto tarefas que ajudem a pensar, discernir e fortalecer a fé. Leve sempre em conta a idade de cada um. Encontre novas formas de ensinar as mesmas coisas, assim como você ensina a escovar os dentes até formar o hábito. A fé é também um aprendizado. 

Carmem Maria Pulga é filósofa, teóloga, mestra em Novas Tecnologias da Comunicação e autora dos livros A pétala e O divino livro proibido, ambos publicados pela Paulinas Editora. Gosta de arte, desde a culinária até a sucata, e ama ler os autores mais ecléticos.

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