A fé que dá sentido à vida

Droga
Pixabay.com

Por Carmem Maria Pulga / NUCAP

Betinho começou cedo a usar substâncias químicas e álcool. Com apenas 9 anos tomou o primeiro “porre” de cerveja. Começou a fumar cigarro e maconha aos 13 anos. Aos 16, já usava cocaína. Hoje, no processo de recuperação escreve para a mãe: (…) Estou com saudade de vocês, do que não vivi com minha família porque estava na droga. Saudade de correr atrás do tempo perdido; mais que saudade, é sede de recuperar o que perdi: o gosto de viver. Mas com fé, junto com vocês, acredito que posso me recuperar. (…) Obrigado por não terem desistido de mim. Com amor, carinho e dor

Frequentemente ouvimos fatos semelhantes a este, nos quais as pessoas despertam para o sentido da vida diante de um sofrimento inevitável, uma dor profunda e outros tantos casos. Mas o natural seria que o aprendizado do sentido para a vida se desse ao longo do processo de desenvolvimento do ser humano.

Nos três evangelhos sinóticos encontramos um testemunho no qual um jovem bem-sucedido busca dar maior sentido a sua vida.

Para ler: Lucas 18,18-30

Jesus acolhe o desejo do jovem, respeita a liberdade de quem já pode fazer sua opção, sem esconder as exigências ou omitir as condições para uma vida mais significativa. O evangelho não conta o que aconteceu com esse homem rico após sua opção. Pode ser que tenha continuado sua vida normal, na rotina, sem transcendência, sem provar alegrias maiores. 

Para refletir

A missão dos pais que professam a fé cristã é passar para os filhos, desde cedo, o sentido do respeito, do altruísmo, da justiça, da transcendência, do amor à própria vida e outros tantos valores, à luz do evangelho, mesmo que isso peça dos pais uma exigência dolorosa de disciplina e autoridade.

Atualmente, grandes desafios dificultam que os pais acompanhem o processo da fé dos filhos. Novas tecnologias, novos paradigmas comportamentais e novos arranjos familiares revolucionam a comunicação, de tal forma que, mesmo as relações entre pais e filhos, sofrem com essa turbulenta mudança. O estabelecido já não vale mais; os limites entre o certo e o errado parecem ser demarcados não pelo consenso familiar, mas por indivíduos que se projetam na telinha do celular; os valores são outros, os papéis sociais estão embaralhados e as relações humanas, fragilizadas. 

A crescente perda de sentido do sagrado e o relativismo ético-moral colocam tudo no mesmo nível: “O que é que tem…? Todo mundo faz assim! Sei o que faço! Quem é você para me julgar? O que importa é o agora”, justificando todo e qualquer comportamento, o que torna a missão dos pais uma tarefa nada fácil. Não há mais princípios e verdades absolutas. Como educar na fé, nesse contexto?

A experiência vem confirmando, para a família e para a sociedade, que não será mais a palavra, mas o testemunho que convence. Somente os pais que cultivam a fé – junto com a comunidade cristã – e dão aos filhos o testemunho da alegria de crer em Deus podem atraí-los para o mesmo caminho.

Fé
Cathopic.com

Quando os pais fazem, com os filhos, a experiência de quanto é bom estar no caminho do bem, de que optar pela proposta de Jesus é a melhor opção da vida, é muito provável que tenham, sim, a alegria de ver os filhos no mesmo caminho.

E se, por desventura, mesmo assim os filhos se desorientarem, perseverar no testemunho é cultivar a esperança de que a graça trabalhe sobre a liberdade individual. 

Para rezar

O cultivo da fé, alicerçada na Palavra de Deus, e a prática concreta do bem darão um sentido completo à nossa vida. “A quem iremos Senhor, só tu tens palavras de vida eterna”, disse o discípulo Pedro, já na maturidade do processo (cf. Jo 6,60-68).

Com o olhar fixo em Cristo, o futuro será sempre esperançoso e a vida terá sempre sentido. Se perdermos o apoio espiritual, é fácil desanimar e nos perder psicológica e fisicamente.

Para viver

Por que não parar um pouco e observar sua vida, considerar sua história? Quais crenças sua família cultiva? Que horizontes a família desenha para seus filhos? 

Não deixe morrer a esperança no futuro. Não permita que a sociedade roube de seus filhos a alegria de crer no Amor Maior.

Carmem Maria Pulga é filósofa, teóloga, mestra em Novas Tecnologias da Comunicação e autora dos livros A pétala e Divino livro proibido, ambos pela Paulinas Editora. Gosta de arte, desde a culinária até a sucata, e ama ler os autores mais ecléticos.

NUCAP (Núcleo de Catequese Paulinas) tem o objetivo de captar não só agentes multiplicadores locais, sintonizados com o projeto editorial: professores de Bíblia, liturgia e catequese, como também catequistas experientes e com alguma especialização na área bíblico-litúrgica, para atender à necessidade de apresentar os títulos publicados, acompanhar as etapas após a adoção das coleções, estabelecer parcerias em cursos com dioceses e paróquias e divulgar os cursos EAD em catequese. Acesse Paulinas Cursos e confira!

Artigos Recentes

Deixe seu comentário

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

error: Ação desabilitada