O mês das noivas, as flores e o casamento

Mês das noivas
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O mês de maio é o mês das noivas e pode ser uma boa oportunidade de chamar os jovens à reflexão sobre como se preparar para o casamento

Por Pe. Cleiton Viana

Chegamos a maio, o mês das noivas, e com ele os ritmos de cerimônias de casamento aumentam muito. Aqueles que se casam em maio sabem o quanto tiveram que planejar para reservar igrejas e salões para essa data.

Além de todo o lado celebrativo do casamento, que tem seu valor, é importante também lembrar que o casamento não se reduz à sua cerimônia. Esta merece muita atenção para ser bem preparada, mas o próprio casamento merece muito mais pensamento ainda.

Maio como mês das noivas

Sempre repetimos que maio é o mês das noivas e, em nossa realidade brasileira e católica, associamos esse mês a Nossa Senhora, por causa do dia 13 de maio, dia de Nossa Senhora de Fátima, ou por causa do Dia das Mães, no segundo domingo de maio. Assim, a imagem da virgindade de Maria e a maternidade dão um colorido especial ao tema do mês das noivas.

Provavelmente, a tradição vai muito além disso e para elementos mais práticos e cósmicos. No hemisfério Norte, maio é o mês da primavera, momento em que as flores estão muito mais vivas, coloridas e abundantes. Se são abundantes, ter muitas flores na cerimônia é mais barato e viável. A abundância das flores não é difícil transpor como imagem para a alegria do matrimônio, seu encanto e toda esperança que ele traz: terminou o inverno e começou um novo tempo.

Mas o casamento não é apenas flores

Pensando nas flores, precisamos lembrar aos jovens que o casamento não é apenas flores e pensar demais na cerimônia não é garantia de um casamento feliz. Sempre digo aos jovens que, ao iniciar um namoro, o assunto do casamento precisa aparecer.

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Alguns se assustam com isso, mas é uma realidade que não pode ser esquecida. Tudo que fazemos precisa sempre estar alinhado com nossos objetivos de vida: aonde desejo chegar? Quais são as coisas mais importantes para mim? Esta pessoa pode me ajudar a chegar aonde desejo? Posso ajudar minha futura esposa ou esposo a chegar aonde deseja? Estou disposto/a a isso?

Os casamentos que mais sofrem por dificuldade de entendimento do casal ou pelo excesso de diferenças não toleradas reciprocamente não foram suficientemente preparados por um processo de conhecimento mútuo. Duas pessoas completamente diferentes podem ter um casamento tranquilo, se antes se conhecerem de verdade e se organizarem para aprender a se respeitar, considerando o que para o outro é importante.

Como discernir se as diferenças podem ser incompatíveis?

Antes de tudo, entenda que discernir não é adivinhar. Discernir é um processo de busca de informações, de diálogo, de reflexão e de muita sinceridade nas decisões. Não é um processo simples, mas é muito necessário. O discernimento é essencial porque entre o hoje e o amanhã muitas coisas se passam, mas hoje posso identificar algumas coisas que estarão em maior ou menor grau no amanhã.

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Quando você começa a sentir que essa pessoa pode vir a ocupar um grande espaço em sua vida, é importante, pelo menos, pensar em três coisas:

  • Nossos valores sobre família, trabalho e fé são semelhantes? São muito diferentes? Vejo em mim ou no outro a boa vontade de nos entendermos? Tem havido situações em que não posso acreditar que haja realmente boa vontade?
  • Vejo no outro e em mim perseverança nos propósitos? Há muita inconstância, que possivelmente sinaliza que não dá para esperar um projeto estável a ser realizado em conjunto?
  • Temos um diálogo sincero? Criamos entre nós constantes situações de ofensa pelo que dizemos um ao outro ou pelo modo como dizemos? Damo-nos realmente liberdade de dizer um ao outro a verdade sem medo ou constrangimento? Somos capazes de reagir bem com o que dizemos um ao outro e com o que o outro pensa?

Os valores, a seriedade nos compromissos assumidos e a sinceridade são pilares para um bom casamento. Ninguém precisa ser igual ao outro, problemas aparecerão e todos precisamos ser capazes de conhecer minimamente o que o outro tem no coração.

Se essas coisas são levadas a sério e o discernimento vai sendo feito pouco a pouco, que haja lindas e abundantes flores na cerimônia, porque certamente nesse matrimônio vão florescer muitos frutos e a alegria na vida do casal e de todos ao seu redor.

Abençoado mês de maio, juízo no namoro e muito discernimento para vocês!

Padre Cleiton Silva é doutor em Teologia Moral, pároco, pós-graduado em Marketing e Mídias digitais, professor na Faculdade Paulo VI, em Mogi das Cruzes, e autor dos livros Confessar e Coração inquieto, publicados por Paulinas Editora. Gosta muito de futebol, de cozinhar e de participar das redes sociais, para comunicar as riquezas da fé. https://www.flowcode.com/page/pecleitonsilva

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