Magnificat ou fé de Nossa Senhora

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Ele nos permite conhecer o núcleo da fé de Nossa Senhora, a serva de Deus, que conhecia tudo o que Ele faz por aqueles que o servem

Por Padre Cleiton Silva

Neste mês de maio convido você, querido jovem, a olhar o coração de Nossa Senhora e ver como era sua fé; isso pode parecer presunção, a menos que peçamos sua intercessão para que nos ajude Santa Mãe de Deus, ensina-nos a rezar e crer como a Senhora o fazia, para que possamos servir a Deus como a Senhora o amava e servia.

Em toda parte, a fé de Nossa Senhora

O evangelho nos dá passagens preciosíssimas. Podemos pensar no próprio momento da anunciação, em que o Arcanjo Gabriel lhe comunica algo inédito: ser a mãe do Salvador. Muitos de nós seguimos chamados para os quais já temos algum exemplo, mas, no caso da Virgem Maria, o chamado era algo impensado. Mas ela disse sim, ou melhor, diante do chamado para ser mãe do Salvador, sua resposta foi: Eu sou a serva do Senhor, faça-se em mim segundo tua palavra!” (cf. Lc 1,37).

Quem ignoraria o “primeiro sinal” que Jesus realizou, e com o qual seus discípulos creram nele, quando, a pedido da sua mãe, transformou água em vinho, por ocasião de uma festa de casamento em Caná da Galileia (cf. Jo 2,1-12)? A passagem é de uma beleza que merece nossa leitura o quanto antes. O ritmo é tenso e inquietante: festa, convidados, falta vinho, apreensão daqueles que organizam. “O que fazer, senão sofrer a humilhação de uma festa sem abundância”, talvez pensasse o responsável da festa. Mas Deus não desampara seus servos e Nossa Senhora intercede. Ela não dá ordens a Jesus. Confia imensamente nele. Apenas diz aos serventes: Fazei tudo o que Ele vos disser”.

Mais emblemático ainda é o momento da cruz. Quando as coisas começam a não ir bem, desabamos e tremem as bases que nos sustentam. Quando as coisas se agravam, começamos a revisar se nossas ideias e valores realmente devem sustentar nossa vida. Ali na cruz é muito mais do que as coisas irem mal ou estarem graves: parecia o fim, era o máximo da injustiça e era a morte. No entanto, diz o evangelista, a Mãe do Senhor permanecia de pé. Os sentimentos certamente prostrados, mas a fé, inabalável. De onde vinha sua força?

Ainda poderíamos pensar em outros momentos, como o próprio Pentecostes, em que o Espírito Santo é derramado enquanto a Virgem Maria e os apóstolos perseveram unidos na oração (cf. At 2,1-13).

Magnificat ou profissão de fé de Nossa Senhora

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Há uma passagem em que encontramos o núcleo da fé de Nossa Senhora. É como se fosse seu credo, o centro da sua profissão de fé: o Magnificat (cf. Lc 1,46-56). Sempre o apresentamos como um cântico por sua estrutura semelhante a vários salmos que expressam confiança em Deus, ou como o próprio cântico de Ana, mãe de Samuel (cf. 1Sm 2,1-11).

É importante entender esse cântico como um testemunho da fé de Nossa Senhora e, ao mesmo tempo, como um itinerário de fé para todos os discípulos de Jesus. Por isso, faz parte do Evangelho: é um convite para experimentarmos, também nós, a força de Deus em nossa vida.

Nossa Senhora já se entendia e havia se apresentado ao Anjo como serva do Senhor. E todo o Magnificat mostra o que Deus faz pelos que o servem. Deus olha a humilhação de seus servos, Deus faz grandes coisas em seu favor, Deus os cumula de bens e sempre os socorre, como o fez com Israel.

É este núcleo da sua fé que nos faz compreender todas as coisas que se passaram com Nossa Senhora ao longo de sua vida: foge para o Egito não por desespero, mas porque sabe que Deus faz grandes coisas por quem o serve; pede ao Filho que ajude a família nas bodas de Caná, porque sabe que Deus cumula de bens os seus servos e não os deixa na indigência; mantém-se de pé diante da Cruz, porque seu Filho crucificado era o modo como Deus demonstrava o vazio de toda forma de poder.

O Magnificat está no Evangelho não apenas como elogio à fé de Nossa Senhora, mas como proposta para todos nós. E você, querido amigo, querida amiga, está disposto/a a experimentar na sua vida o que Deus faz pelos seus servos?

Padre Cleiton Silva é doutor em Teologia Moral, pároco, pós-graduando em Marketing e Mídias Digitais, professor na Faculdade Paulo VI, em Mogi das Cruzes, e autor dos livros Confessar e Coração inquieto, pela Paulinas Editora. Gosta muito de futebol, de cozinhar e de participar das redes sociais, para comunicar as riquezas da fé.

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