Filhos saudáveis, mas sem traumas alimentares

Por Camila Cury

Como educar filhos mentalmente saudáveis na era da ditadura da beleza?

Vivemos em uma sociedade regida pelas imagens. No mundo atual, é como se nós só existíssemos quando somos vistos e aceitos pelos outros.

Por vezes, estamos tão preocupados em adequar nossos filhos em um mundo onde prevalece a ditadura da beleza, que acabamos associando os alimentos não saudáveis a vilões de uma forma bem traumática, ou seja, nossa boa intenção gera o efeito contrário e, inclusive, pode resultar em sérios transtornos alimentares.

As crianças e a ditadura da beleza

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Nossas crianças já nasceram nessa sociedade que cultua as imagens, e alguns pais reforçam, de forma muito violenta, tal cobrança, inclusive por meio da alimentação. Em meu livro A beleza está nos olhos de quem vê, eu relato a história de uma mãe que gritava e humilhava sua filha toda vez que a via devorar comidas não saudáveis.

Esse é um comportamento que observo ser cada vez mais comum. Frases como: “Você vai engordar”, “ Você está com muita barriga, pare de comer”, “Se você ficar comendo isso, vai ficar feia”, “ Ninguém vai querer namorar você” só farão com que seu filho crie uma relação de amor e ódio com a comida e podem fazer com que ele desenvolva transtornos alimentares, como a bulimia ou anorexia.

O medo de que seus filhos não sejam aceitos por uma sociedade que valoriza as imagens pode cegar os pais com relação ao principal: a saúde mental de seus filhos. Isso não significa que devemos permitir que a criança coma de tudo a toda hora, pois uma alimentação saudável é sempre importante, mas proibir e, principalmente, humilhar e diminuir a imagem dos seus filhos para amedrontá-los não é a melhor maneira de ensiná-los e, inclusive, pode resultar no efeito reverso.

Transtornos alimentares: bulimia e anorexia

Um dos transtornos alimentares que podem ser desenvolvidos com a “ajuda” desses comportamentos é a anorexia, a recusa em comer. A boca é o primeiro contato com o mundo externo, e a recusa em comer esconde a de aceitar viver nesse mundo, em uma sociedade que impõe padrões.

Já no caso da bulimia, é como se buscássemos na comida o que nos falta na alma. Em alguns momentos, a pessoa devora os alimentos e, em outros, vai rejeitá-los. Na vida de uma pessoa que possui esse transtorno, não há estabilidade, pois sua emoção é instável, está condicionada à emoção dos outros, e não ao seu próprio julgamento.

Educando crianças emocionalmente saudáveis

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Antes que essas doenças alimentares se instalem na psique de um adulto, como os pais podem tentar evitá-las desde a infância?

Elogiando seus filhos, exaltando suas qualidades e criando uma rotina de alimentação saudável que permita que, de vez em quando, eles se deliciem sem culpa com guloseimas. Ou seja, nós, como pais, devemos educar os filhos para que eles não estabeleçam uma relação de ódio nem com os alimentos, nem com o próprio corpo.

Somente assim nossos filhos estarão preparados emocionalmente para enfrentar um mundo repleto de desafios internos e externos.

Camila Cury é presidente e fundadora da Escola da Inteligência. Autora do livro A beleza está nos olhos de quem vê (Ed. Sextante, 2010), vive a maternidade com seus filhos Alice e Augusto e, em seu Instagram, inspira famílias que buscam conteúdo sobre educação dos filhos.

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