Valorização das singularidades

Por Amaro França

Por muito tempo – e ainda hoje em algumas escolas, ambientes educacionais e suas respectivas práticas pedagógicas –, a educação seguiu um padrão de repetição, fruto de um modelo fabril, que teve sua origem na Revolução Industrial.

Porém, num cenário composto por tantos desafios de um mundo complexo, esse “modelo-padrão” parece não responder às nossas necessidades. Se antes, para a escola, o enfoque era o mero atendimento aos alunos, muitas vezes descaracterizados de identidade e personalidade, hoje são fundamentais a valorização e o foco no próprio indivíduo, enquanto pessoa, sujeito singular, dotado de suas inteligências, suas formas de aprendizagem e, consequentemente, com suas diferentes habilidades para resolução de problemas.

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Sob esse prisma, o importante é perceber que cada pessoa traz em si a marca da singularidade, e que, por mais que se assemelhe a outra na aparência física, ou até mesmo no aspecto comportamental, cada indivíduo é único, singular.

Dessa forma, os processos educacionais e suas concepções sobre os sujeitos aprendentes (professor/aluno) podem favorecer a consolidação de novas relações interpessoais e ambientes de aprendizagem que estimulem a valorização de dimensões humanas como a criatividade, a intuição, a colaboração e o desenvolvimento do próprio conhecimento de forma interdisciplinar e/ou transdisciplinar.

Saber conviver com os diversos outros que integram a nossa sociedade é também um processo de aprendizagem para os sujeitos envolvidos no processo educacional, exigindo uma respeitosa delicadeza no trato com o diferente ou com a pluralidade das diferenças.

É a partir do exercício da autovalorização e da valorização dos outros que a pessoa poderá ir formando a consciência de uma igualdade na diferença dos talentos, e isso é a base do viver junto. Ou seja, a construção do caminho de uma unimultiplicidade (multiplicidade harmônica) perfaz o caminho do respeito, do saber conviver e das inter-relações harmônicas colaborativas.

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Essa dinâmica, portanto, promove nos atores educacionais um sentimento de pertença em que cada pessoa é singular e plural ao mesmo tempo. Como afirma o psicólogo e escritor Luiz Schettini Filho:

A humanidade é plural não só na sua quantidade, mas, sobretudo, na infinidade do que é singular em cada um dos seus componentes. A convivência humana, no seu sentido existencial, só se manifesta no seu caminho, pelo caminho da diversidade, isto é, no contexto da singularidade de cada um. Que não se confunda o ‘estar junto’ com a rigidez e a artificialidade da padronização. A convivência humana é um ‘estar junto’ sem que se perca a noção da individualidade. A convivência se consolida na percepção amorosa da singularidade.

O importante é o processo educacional estar atento ao fato de que trazemos em nós a marca da singularidade. Por mais próximos que sejamos na aparência de outrem, ou até mesmo na essência da manifestação do nosso ser, somos únicos. E eis, assim, a grandeza da beleza do ser quem somos.

Amaro França é escritor, palestrante e gestor educacional, autor do livro Gestão humanizada: liderança e resultados organizacionais, da Editora Ramalhete. Apaixonado pela educação, gosta de escrever, tendo como propósito impactar positivamente as pessoas com suas ideias, liderança e trabalho.

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