Ternura, nutriente da vida

Por Amaro França

Repentinamente, todos nós fomos “colocados” em isolamento social, devido ao efeito pandemia (Covid). Daí, começamos a perceber que o estar juntos cotidianamente tem os seus sabores e dissabores. Dessa forma, foi e está sendo uma (re)descoberta, um aprendizado em todos os sentidos. Estamos nos reinventando nesse novo cheio de incógnitas que alguns, a meu ver erroneamente, insistem em chamar de “novo normal”.

Na maioria das vezes, o novo em nossas vidas nasce, mas nasce com “dor de parto”, custa, dói, sofre-se e, finalmente, vem-se à luz. Esse novo só será novo, se cada um fizer o seu próprio novo caminho, que se complementa, coadunando-se ao caminho por excelência da convivência. E saber conviver exige uma respeitosa delicadeza no trato com o diferente.

Independentemente das funções e dos papéis que exerçamos, seja no núcleo familiar, seja no profissional e/ou social, devemos aprender pedagogicamente a construir um caminho de convivência fundamentado na ternura. Sem dúvida alguma, a ternura é por excelência um nutriente da vida na relação de cuidado. Como afirma o meu amigo psicólogo e escritor Luiz Schettini Filho: “Há nutrientes que não podem ser suprimidos da vida sob pena de comprometer sua sanidade ou mesmo sua permanência”.

Gustavo Fring – Pexels

Sob essa ótica, o cuidado é por excelência esse nutriente vital. Acontece que, às vezes, infelizmente, por diversos fatores, diante de um cotidiano frenético, nós não valorizamos o suficiente a relação do cuidado para com os outros e até para com nós próprios.

Nesse tempo de isolamento social, ouvimos as dores uns dos outros e, até mesmo, em algumas situações, podemos ter sido os causadores dessas dores, pois, sem dúvida alguma, a convivência nem sempre é fácil e, por conseguinte, é um processo de construção, de aprendizagem, algo que vamos fomentando na interlocução e na interação com os outros todos os dias – como uma necessidade básica para sobreviver e buscar ser feliz. De certa maneira, a convivência fundamentada e tendo expressão de ternura permite-nos viver a persistência da vida.

Mais do que nunca é chegado o tempo de sermos novos na dimensão do autocuidado, numa expressão de ternura para consigo mesmo, que, de forma pedagógica, vai sendo construída e manifestada por todos nós e entre nós – enquanto pais, filhos e/ou educadores. Por fim, a ternura deverá ser transmutada em práticas e expressões saudáveis no cuidado da nossa saúde física, mental e espiritual que promovam a felicidade, afinal, dificilmente seremos pessoas realizadas e felizes se as pessoas com as quais convivemos e amamos também não forem felizes.

Amaro França é escritor, palestrante e gestor educacional, autor do livro Gestão humanizada: liderança e resultados organizacionais, da Editora Ramalhete. Apaixonado pela educação, gosta de escrever, tendo como propósito impactar positivamente as pessoas com suas ideias, liderança e trabalho.

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2 COMENTÁRIOS

  1. Parabéns pelo Excelente texto. Tema muito atual e relevante em tempos de egoísmo. Agradecido por partilhar conosco sua sabedoria. Forte abraço

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