A eficácia do testemunho

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Elemento da autoridade no processo de ensinar e aprender é personificado por excelência no Mestre dos mestres, Jesus de Nazaré

Por Amaro França

Os processos e as vivências das construções educacionais são, antes de tudo, profundamente humanos. Abordagens mais recentes das ciências da educação acerca dos processos de aprendizagem versam que as pessoas têm maneiras próprias de aprender ou estilos próprios de aprendizagens; por conseguinte, para os estilos de aprendizagens dos “aprendentes” (dos alunos), existem estilos de ensino (dos professores, dos mestres). 

O autor Richard Felder é um dos teóricos mais respeitados nessa abordagem, o qual sistematizou uma perspectiva educacional que versa sobre estilos de aprendizagens e, também, estilos de ensinar correspondentes.

Dessa forma, de acordo com Felder, as dimensões que se referem ao modo como uma informação é tratada em nosso sistema cognitivo são: percepção, recepção, processamento e compreensão, e que, para cada dimensão citada, existem estilos próprios de aprendizagem. 

Os diversos estilos de aprendizagem

Assim, costumeiramente, identificamos em nós mesmos ou ouvimos pessoas citarem que têm mais facilidade de aprender de uma forma mais visual; outras, de forma auditiva; outras, da experiência sensorial e outras de níveis mais reflexivos. O importante é podermos identificar as dimensões quanto ao modo como processamos as informações e irmos aprimorando os nossos estilos de aprendizagens.

Sob o ponto de vista histórico-pedagógico, se observarmos os grandes mestres, iremos identificar um elemento que nos chama a atenção: a dimensão da autoridade, o que, de certa maneira, gera o reconhecimento daquele que está no lugar de quem ensina. Esse elemento da autoridade no processo de ensinar e aprender é personificado por excelência no Mestre dos mestres – Jesus de Nazaré. Contemplando Jesus, iremos aprender com a sua pedagogia fundamentada nas analogias das parábolas, nas reflexões provocadas e em uma inteligência emocional ímpar. 

Jesus Mestre

Na tradição cristã, há um ícone de Jesus Mestre, datado do século V. O termo “ícone” significa “imagem” em grego e sempre tem, em sua arte representativa, grandes conceitos teológicos. Trata-se de um dos ícones que mais se popularizaram, tanto na Igreja oriental quanto na Igreja ocidental, e ficou conhecido como “Cristo Pantocrator” (do grego “todo-poderoso”, aquele que é o Mestre de tudo, soberano Mestre) – Jesus Mestre ou Divino Mestre. 

Jesus Mestre
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Nesse ícone, por exemplo, a figura de Jesus está representada com dois dedos da mão direita erguidos, em posição de bênção, o que indica, em uma leitura teológica, a natureza humana e divina do Mestre. Já os três dedos da mão direita unidos na ponta representam a participação de Jesus na Santíssima Trindade. Na mão esquerda da figura iconográfica de Jesus está a Sagrada Escritura, ou seja, essa representação deseja expressar que Ele, Jesus, é quem detém o verdadeiro poder de ensinar as Escrituras. 

Educação pelo exemplo

Ao contemplar o Pantocrator, recordo-me da cena do Evangelho de Mateus (7,29), em que Jesus está na cidade de Cafarnaum falando às multidões e as pessoas o ouvem extasiadas por seus ensinamentos. Por quê? Porque lhes ensinava com autoridade, pois Jesus só ensinou o que praticou. Esse é o mais eficiente de todos os métodos, capaz de tocar e transformar os corações dos aprendizes. 

Sem dúvida, a verdadeira educação passa pelo coração e pelo exemplo de educadores que somos, seja na função ou na missão de pais, responsáveis ou professores. Educamos de todas as formas, mas principalmente pelo exemplo.

Aqui, reporto-me a outro grande educador, o padre Jean Gailhac (fundador do Instituto das Religiosas do Sagrado Coração de Maria), que afirmava em seus escritos: “É necessário muito amor, suavidade, calma e paciência para chegar ao interior do coração. Dediquemo-nos às pessoas que nos são confiadas. É preciso tanta paciência, tempo e amor para formar alguém! Importa que a criança saiba e sinta que a amam, que tudo o que fazem é para o seu bem. Só se pode ensinar a sabedoria à infância se a praticarmos primeiro. Quando só se ensina aquilo que se pratica, não são precisas muitas palavras. Vendo os olhos o que a língua diz, a lição é dupla. O espírito fica esclarecido e o coração, preso. Não há réplica nem desculpa; a lição é eficaz. O que lhes fica na memória é apenas aquilo que viram fazer e praticar. A lição só é eficaz quando se faz o que se ensina”.

Mais testemunho, menos palavras

Neste momento de tantos desafios educacionais, contemplemos e internalizemos em nossos corações de educadores a figura de Jesus Mestre; que Ele seja sempre o modelo por excelência e a inspiração de nossas ações educativas – sabendo, como nos afirma o Papa Francisco, que nosso mundo está mais sedento de testemunho do que de palavras. 

Portanto, intensifiquemos nossas vivências e práticas pedagógicas permeadas no amor, no perdão, na arte de sonhar e de gerir as emoções – elementos do profundamente humano na construção da felicidade, tendo ciência que a nossa lição de educadores será eficaz se tivermos a força do testemunho, a exemplo de Jesus Mestre.

Amaro França é escritor, palestrante e gestor educacional; autor do livro Gestão humanizada: liderança e resultados organizacionais, da Ed. Ramalhete. Apaixonado pela educação, gosta de escrever, tendo como propósito impactar positivamente as pessoas com ideias, liderança e trabalho.

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