Educar para o bem comum

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Por Amaro França

Estamos vivendo momentos de crises profundas nos mais diferentes setores da vida humana, com vastas repercussões na coletividade, nas relações sociais e às vezes no trato consigo, enquanto indivíduo pertencente ao cosmos e interligado ao outro. Percebemos que, muitas vezes, a falta de sentido, de propósito, é o cerne que perpassa as questões existenciais e sociais. Nesse prisma, a educação tem um papel preponderante de poder jogar luzes em meio às sombras; ela pode ser um grande caminho contributivo à formação axiológica das pessoas e de suas atitudes diante da vida.

É importante enfatizar que não basta apenas adotarmos essa nova consciência educacional, intelectualmente concebida; é necessário mais do que isso. Precisamos de mudança de atitude e deixar brotar em nós a dimensão do saber cuidar, uma perspectiva que nos ajudará a descobrir uma nova ética – a ética do cuidado –, na qual as nossas relações deverão ser amorosas para com o todo, do qual nós fazemos parte e no qual tudo tem o seu valor.

Certamente, ao longo dos últimos anos, o uso exacerbado da razão, que caracteriza o momento histórico-educacional em que vivemos, pode ter propiciado, em contextos diversos, o uso ou o abuso da natureza sem medir as consequências das nossas ações e atitudes frente a ela. Dessa forma, enquanto sociedade e sob o ponto de vista educacional, precisamos ir dando passos mais assertivos numa tomada de consciência e mudança de atitude, na nossa relação para com a natureza, compreendendo que o planeta Terra é um organismo vivo, um “macrossistema” orgânico, e que estamos integrados numa rede de vida.

Somos seres interligados

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Alerta-nos o Papa Francisco em sua carta encíclica Laudato Si’: “Esta irmã (Terra) clama contra o mal por causa do uso irresponsável e do abuso dos bens que Deus nela colocou. Crescemos pensando que éramos seus proprietários e dominadores, autorizados a saqueá-la. A violência, que está no coração humano ferido pelo pecado, vislumbra-se nos sintomas de doença que notamos no solo, na água, no ar e nos seres vivos. Por isso, entre os pobres mais abandonados e maltratados, constata-se a nossa terra oprimida e devastada… Esquecemo-nos de que nós mesmos somos Terra. O nosso corpo é constituído pelos elementos do planeta; o seu ar permite-nos respirar, e a sua água vivifica-nos e restaura-nos”.

Nessa perspectiva, faz-se necessário trilhar por uma educação mais do que ambiental – sim, por uma educação sistêmica, ecológica –, construindo uma nova “cosmologia”, uma visão, uma relação de sentimento e pertença, fazendo emergir em cada um de nós a consciência de que somos seres interligados, em comunhão, e de que toda forma de vida tem seu real significado.

Cabe-nos, neste momento, construir como irmãos uma nova postura educacional e atitudinal – um novo pensamento e uma nova prática –, reconhecendo, pois, esse sentimento de pertença à humanidade na dinâmica construtiva da civilização do amor e no saber cuidar do planeta Terra, a nossa casa comum.

Oxalá tenhamos um tempo cheio de esperança e possamos viver como irmãos universais na promoção de uma educação integral e no fomento de uma verdadeira cultura de paz.

Amaro França é escritor, palestrante e gestor educacional, autor do livro Gestão humanizada: liderança e resultados organizacionais, da Ed. Ramalhete. Apaixonado pela educação, gosta de escrever, tendo como propósito impactar positivamente as pessoas com suas ideias, liderança e trabalho.

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