Felicidade se aprende?

Felicidade
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É preciso nos unir pela promoção de uma educação em favor da vida em nosso atual contexto humano

Por Amaro França

Estamos vivendo em uma sociedade marcada pelo senso de urgência, pela fragilidade, incompreensibilidade e, ainda, profundamente ansiosa. Esses são fenômenos que permeiam o nosso cotidiano, os quais acabamos reproduzindo como “envoltos em uma bolha”, sem a capacidade de criticarmos o que está ocorrendo e, muito menos, de ter um posicionamento diferente ante as respostas das nossas necessidades pessoais de desenvolvimento, de aprendizagens e de integralidade do nosso ser. 

Nesse cenário, o que parece ser mais contraditório, tão bem expresso em um pensamento do psiquiatra e escritor Augusto Cury, é que “estamos na era da indústria do entretenimento e, paradoxalmente, na era do tédio” – desembocando em um excesso de pensamentos acelerados que podem ir comprometendo ou destruindo a saúde emocional das nossas crianças e adolescentes, principalmente, podendo gerar a Síndrome do Pensamento Acelerado (SPA), como designa o próprio autor.

Com o advento e o enfrentamento da pandemia, houve um considerável aumento dos transtornos psíquicos. Segundo recente relatório publicado pela Organização Pan-americana da Saúde: “O distanciamento social alterou os padrões de comportamento da sociedade, com o fechamento de escolas, a mudança dos métodos e da logística de trabalho e de diversão, minando o contato próximo entre as pessoas, algo tão importante para a saúde mental”.

Diante do retorno às aulas presenciais (que vem ocorrendo paulatinamente e com variações diversas de região para região) e com a concomitância do funcionamento das aulas remotas, os educadores têm-se deparado com o afloramento do comprometimento da saúde mental de muitos estudantes e, também, dos próprios professores e outros profissionais da educação. 

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Voltando a atenção para os alunos, constata-se, no retorno à dinâmica do atual cotidiano escolar, manifestações de crises de ansiedade, insegurança, automutilação, autoisolamento ou, em alguns casos, manifestações identificadas como “síndrome da gaiola” – termo cunhado pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) –, expressando a ideia de que a gaiola é aberta, mas o pássaro não quer sair. 

Nesse sentido, a ABP chama fortemente a atenção dos pais, dos estudantes e dos próprios educadores, enfatizando que a escola não é apenas o lugar da aprendizagem acadêmica, como também ela é fundamental para a vivência de valores, de noções de convivência social, de regras, de politização, de independência, de saber lidar com os conflitos, de emoções; situações que, com certeza, não permeiam a realidade dentro de um quarto.

Diante da intensa e cruel pedagogia do vírus, pode-se afirmar que cabe a todos nós sermos capazes de aprender com essa dura lição. Valorar cada vez mais o papel da educação no ambiente escolar, reconhecendo a escola como um lugar das diversas aprendizagens, fomentação da integralidade e da formação humana; entender que o seu papel social é preponderante para a formação de pessoas emocionalmente sadias e comprometidas com o cuidado de si, o cuidado para com os outros e o cuidado para com a Mãe Terra – a nossa “Casa Comum”, como afirma o Papa Francisco.

É chegada a hora de nos unirmos mesmo que distantes (respeitando o isolamento social) pela promoção de uma educação que promova vida em nosso atual contexto humano, em que cada pessoa vá encontrando e edificando o seu projeto de vida, em sua individualidade, sim, mas sem individualismo. Está provado que, mais do que tudo, somos nossos relacionamentos, somos responsáveis pelo desenvolvimento das pessoas com as quais convivemos, como uma espécie de constelação familiar na construção da felicidade. Lembrando que “felicidade não é ausência de sofrimento, mas sim a capacidade de se recuperar dele. É aprender a lidar com as situações de estresse com mais resiliência possível, por meio de exercícios, assim como você se exercita para correr uma maratona, num compromisso que alinhe visão de futuro com significado, um senso de propósito e ótimos relacionamentos” (cf. MOSS, J.; McKEE, 2019).

Amaro França é escritor, palestrante e gestor educacional. Autor do livro Gestão Humanizada: liderança e resultados organizacionais, da Ed. Ramalhete. Apaixonado pela educação, gosta de escrever, tendo como propósito impactar positivamente as pessoas com suas ideias, liderança e trabalho.

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