Crenças limitantes e educação: o que fazer?

Crenças limitantes
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Entenda por que a maioria dos nossos fracassos está interligada a estas crenças limitantes

Por Amaro França

Uma das ideias centrais para compreender a educação está em sua própria raiz etimológica. A palavra “educação”, que vem do latim, origina-se do verbo “educere”, o qual revela a ideia de “extrair” ou de “conduzir para fora”, o que em nossa língua portuguesa gerou o verbo “eduzir” e, também, a palavra “edução” (extração).

Diz-nos o autor Nilson José Machado que: “A educação se faz com iniciativas, com perguntas (ação), e não simplesmente com respostas (reação). Perguntas que reiteram ou que refutam, que cultivam princípios ou que combatem ideias, mas que traduzem, em qualquer um dos casos, uma tentativa de criação, um risco, uma afirmação da vida ativa. A ideia da educação nos lança, portanto, nos mares de significações da palavra ação”.

Capacidade de agir

A vida em nossa profundidade humana é ação. No entanto, muitas vezes, as nossas ações ou inações estão ligadas a modelos, comportamentos, ou “crenças limitantes”. Dessa forma, novas descobertas na área da neurociência e da educação apontam que regiões específicas do nosso cérebro, e que estão ligadas aos fatores da autoconsciência, nos ajudam com a tomada de decisões.

O pesquisador e neurocientista Antonio Damásio nos alerta que, para tomar uma decisão, temos de ter sentimentos sobre os nossos pensamentos. Quando temos um pensamento, ele é imediatamente avaliado por centros cerebrais, de maneira positiva ou negativa, numa área que forma uma rede neural, chamada de gânglios da base; a nossa sabedoria de vida acumulada está armazenada nesse circuito primitivo. Certamente, é nessa área que se estabelecem a maioria das nossas crenças limitantes.

Influências recebidas

Ao longo da vida nós recebemos informações que foram plasmando e integrando o nosso ser e o nosso modo de agir, foram sendo “armazenadas” e se tornaram premissas das nossas próprias vidas, ou seja, praticamente, verdades absolutas.

Essas informações podem ter surgido de vários elementos que formaram o nosso viver, como, por exemplo: das palavras de orientação ou determinação dos nossos pais, dos nossos professores, da sociedade de uma forma geral, das nossas diversas experiências, inclusive das nossas experiências religiosas.

Informações recebidas, repetitivamente, vão sendo firmadas através dos nossos pensamentos e, por conseguinte, vão consolidando-se como verdades – crenças limitantes que vão regendo toda a nossa vida. Como afirma o autor Rafael Nunes: “As crenças são os ‘limites’ de nosso modelo mental, ou seja, são todas as programações neurais que aprendemos durante nossa vida, principalmente nas primeiras infâncias. Elas vão se reforçando ao longo de nosso desenvolvimento e são encaradas como verdades absolutas. Esses tipos de crenças são autorrealizadoras e moldam seu mundo e as coisas que nele acontecem, pois funcionam como lentes de óculos que formatam a realidade conforme seus próprios preceitos”.

O que é crença limitante?

Portanto, uma crença limitante é algo que a pessoa acredita e tem, por conseguinte, como verdade para si mesma e sua existência – funcionando muitas vezes como desculpas para que nem mesmo a pessoa tente fazer algo diferente ou modifique uma situação que a incomode.

Cada pessoa carrega as suas próprias crenças limitantes. Mas o fundamental é compreender que essas crenças são verdades apenas em nossa mente e não fora dela. Porém, como as reafirmamos muitas vezes ao longo da vida (consciente ou inconscientemente) –, ficamos com medo do fracasso. Sob essa perspectiva de análise, a origem da maioria dos nossos fracassos está interligada muito provavelmente às nossas crenças limitantes.

Faz-se necessário ressignificar as crenças limitantes, saber que são apenas crenças mentais e não verdades absolutas. Dessa forma, identifique-as, critique-as, conteste-as e sempre se pergunte: “Essas crenças ou determinadas crenças têm fundamento? Ajudam no meu desenvolvimento pessoal? Ajudam-me a progredir? Servem ao meu sentido de propósito, de significado de vida?

Jesus como modelo de educador

Saiba que o autodomínio requer autoconsciência mais autorregulação, componentes essenciais para o aprimoramento de uma inteligência emocional – num processo educacional integral –, principalmente, da educação cristã, a exemplo de Jesus (o verdadeiro Mestre das Emoções) que olhava as pessoas em suas necessidades e as curava e libertava, sendo empático – rompendo o egocentrismo social e enxergando o invisível –, ou seja, enxergava o melhor de cada um daqueles que dele se aproximavam.

Jesus Mestre
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Eis que é chegado um momento propício para que, enquanto pais e educadores, possamos cultivar um olhar de uma esperança depositada em nossos filhos/educandos – através de elogios verdadeiros, de reconhecimento das potencialidades, da valorização do que já foi conquistado, reelaborando um olhar positivo sobre cada um deles. Nessa toada, estaremos incentivando crenças de desenvolvimento e de possibilidades – crenças de uma educação verdadeira, onde se deseja sempre extrair o melhor de cada um, na construção de sua própria autonomia, bem como no fortalecimento das relações empáticas de solidariedade – como caminho de sucesso!

Amaro França é escritor, palestrante e gestor educacional. Autor do livro Gestão humanizada: liderança e resultados organizacionais, da Ed. Ramalhete. Apaixonado pela educação, gosta de escrever, tendo como propósito impactar positivamente as pessoas com suas ideias, liderança e trabalho.

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