Pandemia: as mortes são mais do que números, são vidas!

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Por Ana Paula Lima

Os índices podem fazer parte das estatísticas esperadas para o coronavírus, mas é compromisso do cristão zelar pela vida e ter empatia com a dor do próximo

Desde o início da pandemia do coronavírus, decretada no dia 11 de março de 2020 pela Organização Mundial da Saúde (OMS), uma das primeiras medidas tomadas pelas autoridades de saúde no Brasil foi alertar as pessoas que fazem parte do grupo de risco, entre elas os idosos e pessoas com comorbidades, para o perigo da transmissão do Sars-Cov-2. Entre as projeções iniciais, os dados do Ministério da Saúde apontam que mais de 3 milhões de brasileiros foram contaminados pela Covid-19. Entre os óbitos, foram mais de 150 mil vidas que se foram.

A realidade trouxe à tona não somente a problemática de uma enfermidade que, por si só, já causa danos irreparáveis. Mas, em um cenário de pandemia, são inúmeras as consequências: crise econômica, crise na educação, sistema de saúde sobrecarregado, desemprego, além das questões psicológicas provocadas pelo isolamento social.

No entanto, o isolamento social não foi cumprido por toda a população, e alguns simplesmente negligenciaram o vírus, provocando aglomerações, festas etc. Outras pessoas tiveram que sair para trabalhar nos serviços considerados essenciais. A administradora Andreia Sipaúba foi uma das milhares de pessoas em todo o país que continuaram trabalhando durante a pandemia e contraíram o vírus.

Petra Osterreich – Pixabay

Covid-19 deixou marcas na história das famílias brasileiras

“Os funcionários da empresa em que eu trabalho foram todos testados e, em junho, quando eu fiz o meu teste, o resultado apresentado foi que eu já havia sido contaminada com a Covid-19. Lembrei que alguns dias antes eu havia sentido leves sintomas de gripe, mas nada muito sério. Apesar disso, quando eu recebi o resultado, fiquei mais assustada do que aliviada, principalmente porque eu convivi com minha família, na minha casa, durante o período em que estive contaminada sem saber. O meu maior medo sempre foi contaminar as pessoas que me cercam”, relata Andreia.

Felizmente, a família de Andreia foi testada e ninguém apresentou resultados positivos para o novo coronavírus. Diferente do que aconteceu com a família de Gláucia Augustinho, que perdeu o esposo para o vírus. Jadiel Filho foi mais uma das vítimas no Brasil que deixam filhos, familiares e amigos que choram a sua partida e que não tiveram a oportunidade de velar seu corpo e dar-lhe o último adeus.

“Não é fácil aceitar a morte, mas eu aceito porque confio em Jesus, sei que a forma como as coisas estão acontecendo é muito dolorosa, o fato de receber a notícia do falecimento do meu amor às 2 horas da madrugada, ter que fazer o reconhecimento do corpo por videochamada, não poder velar o seu corpo, não poder fazer a última missa de corpo presente, a última despedida, o último beijo, não poder ir ao enterro, de fato é muito doloroso, mas sei que Deus sabe todas as coisas”, declara Gláucia.

A experiência da fé e da empatia diante do sofrimento provocado pela Covid-19

E é justamente na fé que muitas pessoas encontram o conforto que precisam e forças para superar aquele momento de dor. “Considerando o ser humano maravilhoso que meu marido foi, é que muitas vezes me questiono o porquê! Mas essa poderia ser uma pergunta sem respostas, simplesmente porque quaisquer respostas seriam inaceitáveis, isso caso se leve em conta um contexto em que não haja fé, neste contexto nunca haveria o entendimento de que tudo o que ocorre em nossas curtas vidas é propósito de Deus”, afirma Gláucia.

Anna Shvets – Pexels

Para o padre Isaías Pereira, a empatia é uma das principais atitudes que o cristão deve ter em todos os momentos da vida, principalmente nestes tempos difíceis de pandemia. “Nós que somos cristãos, discípulos de Jesus Cristo, devemos ter sempre uma atitude de nos colocarmos no lugar do outro, de sentir a dor do outro. Quando a mídia nos apresenta os números das mortes em decorrência do coronavírus, nós devemos pensar não em números, mas na pessoa que foi perdida, porque aquela pessoa é indispensável para Deus. Todos nós somos importantes de forma particular”, afirma.

Autocuidado como maneira de demonstração de amor a si mesmo e ao outro

Mesmo para quem foi contaminado com o vírus e conseguiu se recuperar, o sentimento ainda é de preocupação com o futuro da humanidade, principalmente quando o assunto é a valorização da vida. “Eu acho uma falta de humanidade, de empatia, porque as pessoas só sentem a dor da morte quando é de alguém próximo, mas esquecem que todos os dias milhares de filhos ficaram sem seus pais, milhares de pais ficaram sem seus filhos, milhares de pessoas que amam ficaram sem os seus entes queridos”, reitera Andreia Sipaúba.

O mundo todo ainda vive em tempos de pandemia. Enquanto a ciência se preocupa com a cura e o tratamento eficaz para a Covid-19, a missão de cada membro da sociedade é manter os cuidados básicos e evitar a proliferação do vírus. E, nesse caso, a responsabilidade do cristão é ainda maior.

“A melhor forma de o cristão se solidarizar com a dor das pessoas que perderam seus entes queridos é o autocuidado. É seguir as normas e condições que foram estipuladas pelas autoridades de saúde, o uso da máscara, álcool em gel, o distanciamento social, evitando as aglomerações, enfim, essa é a minha forma de cristão de me compadecer com a dor do próximo e de valorizar aquelas vidas que foram perdidas”, pontua padre Isaías Pereira.

Ana Paula Lima é jornalista e mestranda em Comunicação pela UFPI. Atualmente trabalha no setor de comunicação da Arquidiocese de Teresina (PI). Apaixonada por viagens, gosta de cuidar de plantinhas e entende que na vida tudo são fases.

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