Campanha da Fraternidade Ecumênica

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Com o tema “Fraternidade e diálogo: compromisso de amor”, CF 2021 convida à unidade dos cristãos

Por João Ferreira Santiago

As perguntas fundamentais de ontem e de hoje, e não seria precipitado dizer que as de amanhã também, são e serão feitas à teologia. E, mesmo quando se espera por uma resposta científica, a principal motivação da pergunta é a fé.

Vinte anos após a primeira Campanha da Fraternidade Ecumênica (CFE), celebrada no ano 2000, recordam-se alguns acontecimentos importantes de nossa fé cristã, da Igreja e de nossas vidas.

Relembrar é fazer memória

É possível recordar o quanto as Campanhas da Fraternidade nos testemunham e desacomodam, despertando em nós a consciência de filhas e filhos de Deus. Portanto, viver a fraternidade ajuda-nos a responder à pergunta: quem somos?

A resposta não pode ser outra, senão: somos todos irmãos e irmãs. Já a pergunta “De onde viemos?” nos lembra que viemos, na dimensão humana, de nossa família. Devemos a vida aos cuidados de nossos pais, mães, avôs e avós, de quem temos o dever moral, espiritual e natural de cuidar.

E, assim, recorda-se o tema da Campanha da Fraternidade do ano de 2003: “A fraternidade e as pessoas idosas”, complementado pelo lema: “Vida, dignidade e esperança”.

A paz, a dignidade humana e a inclusão no novo milênio 

De acordo com o Conselho Nacional das Igrejas Cristãs (Conic), desde a década 80 do século XX, iniciaram-se diálogos e articulações entre algumas Igrejas cristãs para um ecumenismo cristão.

 Deste modo, na virada do milênio, foi organizada, em 2000, a primeira Campanha da Fraternidade Ecumênica. Com o tema “Dignidade humana e paz”, anunciava-se o início de um novo tempo. Da mesma forma, o lema “Novo milênio sem exclusões” revelava o compromisso profético com a superação da miséria e das diversas formas de exclusão.

Assim também foi em 2005, quando aconteceu a segunda CFE, com o tema “A fraternidade e paz”. Diante das injustiças, o lema veio das bem-aventuranças: “Felizes os que promovem a paz”.

No ano de 2010, as Igrejas cristãs do Conic escolheram como tema da CFE “Economia e Vida”, e como lema, “Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro” (cf. Mt 6,24), convidando, assim, para o discernimento, para sabermos escolher bem entre o que é essencial – a vida – e o que é secundário – as coisas.

Na mesma linha, agora denunciando a destruição da natureza e o extermínio de inúmeras espécies de vida, a CFE 2016 tinha como tema “Casa Comum, nossa responsabilidade”, além de trazer presentes as dimensões profética e poética, com o lema “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (cf. Am 5,24).

Campanha da Fraternidade Ecumênica 2021

Edições CNBB

Com o mesmo ponto de vista de defesa da vida, do direito e da justiça como condição para que a paz prevaleça, teremos, no ano de 2021, a 5ª Conferência da Fraternidade Ecumênica.

O tema, “Fraternidade e diálogo: compromisso de amor”, fala-nos profundamente, sobretudo neste tempo de intolerâncias, violências, divisões e ódio. O lema, por sua vez, “Cristo é a nossa paz: do que era dividido, fez uma unidade” (cf. Ef 2,14a), convida-nos a redescobrir a beleza do diálogo como caminho de relações mais amorosas.

Onde há justiça, ali há paz; onde há paz, ali há amor; e onde há amor, ali Deus está. Dessa forma, o Espírito Santo, a divina Ruah, sopra em direção favorável aos esforços das Igrejas cristãs pela unidade e faz chegar até nós a Carta Encíclica Fratelli Tutti (Todos Irmãos), do papa Francisco.

Assim nos fala o pontífice: “A afirmação de que, como seres humanos, somos todos irmãos e irmãs, se não é apenas abstração, mas se materializa e se concretiza, coloca-nos uma série de desafios que nos movem, nos obrigam a assumir novas perspectivas e a produzir novas reações” (FT, 128). Assim é que têm sido as Campanhas da Fraternidade Ecumênicas (CFEs).

Organizadores da CFE – 2021

Igrejas que compõem o CINC e organizaram a CFE-2021:

* Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil;

* Igreja Presbiteriana Unida do Brasil;

* Igreja Católica Apostólica Romana;

* Igreja Episcopal Anglicana do Brasil;

* Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia;

* Aliança de Batistas do Brasil;

* Igreja Betesda;

Além do Centro Ecumênico de Serviço à Evangelização e Educação Popular (CESEEP).

Uma das formas de comunicação elevada, marca característica da CF, é o cartaz. Uma ciranda composta pela diversidade, na qual não há primeiro nem último. Ali, somos todos irmãos e irmãs, construtores de pontes, jamais de muros. Quem odeia constrói muros; quem ama constrói pontes.

João Ferreira Santiago é teólogo, poeta, militante e coordenador do curso de Teologia da Faculdade UNINA. Especialista em Assessoria Bíblica pela Escola Superior de Teologia (EST) de São Leopoldo (RS), mestre em Teologia pela PUCPR e membro do Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos (CEBI).

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